Conexão CNN: Plano de imunização de Doria causou reações positivas e negativas

O que antes era uma disputa política entre o Palácio do Planalto e o Palácio dos Bandeirantes agora tem o envolvimento de outros governadores

Da CNN
09 de dezembro de 2020 às 11:18

No quadro Conexão CNN desta quarta-feira (9), na CNN Rádio, Thais Arbex, Iuri Pitta e Leandro Resende analisam os efeitos práticos do plano de imunização anunciado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que causou tanto reações positivas quanto negativas.

“Na falta de clareza do Plano Nacional de Imunização, com a incerteza entre os governadores, se um estado ficará à frente de outros estados, ocorreu uma pressão em cima do ministério para que esse plano seja disponibilizado de forma clara, com quais vacinas podem ser utilizadas, que a Anvisa tenha clareza que vai fazer uma análise técnica e não política”, disse Pitta, sobre as reações positivas.

“Por outro lado, houve um descontentamento em relação a iniciativa de Doria porque ele colocou todos os outros 26 estados emparedados já que suas populações começaram a cobrar [acesso às vacinas]”, completou.

Para Resende, antes havia um problema restrito entre a disputa política do Palácio do Planalto e do Palácio dos Bandeirantes.

“Agora, parece que os governadores entraram com tudo nessa disputa política e, com todo respeito, se tornou uma espécie de ‘corrida maluca’ pela vacina”, afirmou.

“Beira o inacreditável o Brasil, com quase 180 mil mortos por Covid-19, estar nesse nível de discussão. A verdade é que não tem santo nessa história”, disse Resende.

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Por fim, Arbex afirmou que essa disputa em torno da vacina lembra o início da pandemia, quando o governo federal e os governadores também divergiam sobre as estratégias de enfrentamento da pandemia.

“O que a gente acompanhou ontem infelizmente lembra muito o início da pandemia, mais especificamente o dia 25 de março, quando também tivemos uma reunião muito tensa entre governo federal e governadores”, apontou.

“Naquele momento, o grande tema da pandemia ainda era o isolamento social. Agora, esse embate volta em relação à vacina. Ou seja, o fio condutor dessa vacina é a falta de centralização do governo federal, mais especificamente do Ministério da Saúde, na coordenação dessas ações.”