Maia sobre eleição na Câmara: "Governo vai jogar pesado e rasgar seu discurso"

O presidente da Câmara dos Deputados ressalta ainda que o seu candidato será a favor do diálogo e da liberdade da casa

Larissa Rodrigues, da CNN, em Brasília
09 de dezembro de 2020 às 15:40 | Atualizado 09 de dezembro de 2020 às 18:58

 

Para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governo do presidente Jair Bolsonaro não poupará esforços para derrotar o candidato a ser apoiado por ele e que disputará à presidência da Casa, em fevereiro de 2021. 

Maia conversou com a imprensa ao chegar na Casa no início tarde, minutos antes do lançamento oficial da candidatura de Arthur Lira (PP-AL), apoiado pelo Palácio do Planalto.

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Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, fala à imprensa
Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, fala à imprensa
Foto: CNN (09.dez.2020)


Ao ser questionado sobre quando divulgará o nome de um candidato que contará com seu apoio, Maia disse que o nome tem de sair “rápido”, mas que essa demora mostra que nesse momento existe apenas um candidato ligado ao Governo Federal. 

“Nós vamos construir um candidato pela liberdade da Câmara. É bom que fica claro que o Bolsonaro tem seu candidato e que nós vamos construir uma candidatura que não é de esquerda nem de direita, mas a favor do diálogo e liberdade da Casa”, afirmou.

Para Rodrigo Maia, “se dois meses antes alguém ganhasse a disputa, não precisava de eleição”. “A gente já viu boca de urna errar. Nossa pressa não é pelo nome e sim para construir esse movimento que amplia a participação dos partidos e da sociedade”, argumentou. 

Perguntado se uma demora pode gerar crises entre os partidos e candidatos que pertencem ao grupo partidário mais ligado a ele, Maia afirmou que o nome não será imposto e sim escolhido entre todos.

“Eu não vou escolher, eu vou escolher junto com um grupo de partido e de deputados que respeito e admiro. Essa escolha é coletiva e demora. Não é imposição minha, do meu partido ou do presidente da República. Às vezes dá conflito, alguns se sentem preteridos, outros mais fortes, no final vai afunilar para escolher um. Nessa Casa aqui ninguém vence sozinho”, completou.

Perguntado sobre o uso de emendas em troca de votos para a presidência da Câmara, Maia respondeu: “Olha, o Orçamento impositivo ele precisa ser executado se o governo não executar ele vai estar cometendo um crime. O orçamento livre o governo pode trabalhar, sempre respeitando a distribuição por regiões brasileiras”. 

Ele ainda acrescentou: “O governo está desesperado para tomar conta da presidência da Câmara dos Deputados, o governo está desesperado para desorganizar de uma vez por todas a agenda do meio ambiente, o governo está de uma vez por todas interessado em flexibilizar a venda e a entrega de armas nesse país outras agendas que desrespeitam a sociedade brasileira e as minorias”