Lewandowski determina que Justiça dê a Lula acesso a mensagens de hacker

A operação mirou hackers que invadiram os aparelhos telefônicos de autoridades brasileiras, entre elas figuras da Lava Jato como o ex-ministro e ex-juiz Moro

Gabriela Coelho, da CNN, em Brasília
28 de dezembro de 2020 às 11:58 | Atualizado 28 de dezembro de 2020 às 12:28


O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a 10 Vara Federal Criminal do Distrito Federal assegure ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o apoio de peritos da Polícia Federal, dentro do prazo de até 10 dias, o compartilhamento das mensagens arrecadadas pela Operação Spoofing que citem o nome de Lula ou que tenham relação com investigações e ações penais contra ele. 

A operação mirou hackers que invadiram os aparelhos telefônicos de autoridades brasileiras, entre elas figuras da Lava Jato como o ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro e o ex-coordenador da força-tarefa Deltan Dellagnol.

A Spoofing foi deflagrada em julho e setembro do ano passado contra hackers que invadiram os celulares de mais de mil autoridades brasileiras.

O ex-presidente Lula fala sobre o futuro do governo Bolsonaro em entrevista a CNN Internacional
Foto: Reprodução/CNN

A primeira etapa prendeu quatro investigados, entre eles Walter Delgatti Neto, o ‘Vermelho’, que confessou o hackeamento e o repasse das informações para o portal The Intercept Brasil, que tem divulgado diálogos envolvendo Moro e os procuradores da Lava Jato em Curitiba.

O hacker disse que não cobrou contrapartidas financeiras para repassar os dados.

Imbróglio 

Há várias ações na corte sobre o assunto. Em novembro,o ministro Edson Fachin enviou ao plenário da corte uma ação em que a defesa do ex-presidente pede acesso às mensagens.

Em agosto do ano passado, a defesa de Lula apresentou um habeas corpus ao Supremo pedindo que o ministro Alexandre de Moraes compartilhasse conversas da força-tarefa da Lava Jato vazadas e apreendidas na Operação Spoofing.