Cabo de guerra eleitoral contamina início da vacinação

A definição da data em que terá início a vacinação contra o novo coronavírus é mais um capítulo da disputa político-eleitoral travada por Bolsonaro e Doria

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
17 de janeiro de 2021 às 11:40 | Atualizado 17 de janeiro de 2021 às 12:34
O presidente da República, Jair Bolsonaro (c) abraça o mascote Zè Gotinha no lançamento do plano nacional de imunização contra a covid-19 (16.dez.2020)
Foto: EDU ANDRADE/FATOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO


A definição da data em que terá início a vacinação contra o novo coronavírus é mais um capítulo da disputa político-eleitoral travada pelo presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, desde o início da crise sanitária no país. 

O governo de São Paulo já ventila a possibilidade de iniciar a vacinação com a Coronavac, neste domingo (17), após o resultado da reunião da Anvisa, antecipando a campanha que o estado havia anunciado para o dia 25 de janeiro.

A possibilidade é vacinar profissionais da saúde, no Hospital das Clínicas, em um evento com a participação de Doria. A cena da primeira pessoa vacinada do país seria usada como uma arma nas eleições de 2022. 

 

Do lado de Brasília, auxiliares do Palácio do Planalto tentam impedir que isso ocorra, sob argumentos jurídicos e logísticos, afirmando que todos os brasileiros devem ser imunizados no mesmo dia, na mesma hora.

A pandemia instalou um cabo de guerra que não terá fim quando o primeiro brasileiro for vacinado, mas quando as urnas das proximas eleições presidenciais forem abertas.

A quem interessa a disputa por datas, a campanha contra a vacinação ou a pressa pela divulgação superestimada da eficácia de uma vacina? À população, não.

O país já ultrapassou a marca de 206 mil mortos, voltou a registrar 1 mil mortes por dia, testemunha a vida de brasileiros se esvair no Amazonas por falta de oxigênio. E, a exemplo de todo mundo, ainda não é possível atestar até onde vai a capacidade do vírus.

Enquanto isso, também a guerra política segue sem limites.