'Não haverá corporativismo', diz relator do caso Silveira no Conselho de Ética

Deputado Fernando Rodolfo (PL-PE) admitiu pressão no julgamento, mas afirmou que manterá imparcialidade na condução do caso

Da CNN, em São Paulo
24 de fevereiro de 2021 às 23:06 | Atualizado 24 de fevereiro de 2021 às 23:12

O deputado Fernando Rodolfo (PL-PE), escolhido relator do caso de Daniel Silveira (PSL-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, afirmou, em entrevista à CNN nesta quarta-feira (24), que manterá imparcialidade na condução do assunto, apesar de possíveis pressões.

"Não é fácil estar nessa situação de ter que julgar um colega. Temos uma responsabilidade com o parlamento, a sociedade pode esperar que da minha parte não terá corporativismo e lá na frente vamos decidir se ele quebrou ou não o decoro parlamentar. É uma decisão que vamos tomar no momento oportuno", afirmou.

"A decisão do ministro (Alexandre de Moraes) de prendê-lo era carente de base jurídica, eu votei pela permanência da prisão por entender que a prisão se justifica do ponto de vista político e institucional. Se a gente votasse para liberar o deputado, estaríamos diante de uma grave crise institucional, quebrando a harmonia entre os Três Poderes", justifica. 

Embora tenha, como mais cedo, tentado evitar dar sua opinião, ele acabou dizendo o que pensa sobre o caso. "Acho que o deputado cometeu excessos, como ele próprio reconheceu e pediu desculpas ao parlamento. Todo mundo na Câmara sabe disso, o Conselho de Ética reconhece, tanto que a repercussão foi imensa e fala por si."

Rodolfo afirmou também que não cederá a pressões. "A pressão será inevitável. Há setores que querem a cassação, há quem queira uma pena mais branda. Ouviremos todas as lideranças e vou fazer um relatório técnico sem paixões políticas nem de um lado nem de outro. O que posso garantir é que não haverá corporativismo no meu texto que será votado no Conselho de Ética".

(Publicado por Daniel Fernandes)