Covid-19: Bolsonaro volta a criticar medidas restritivas no Brasil

Apesar da piora dos números da pandemia, presidente disse que governadores devem repensar 'política de fechar tudo'; ele também fez críticas à imprensa

Da CNN, em São Paulo
04 de março de 2021 às 13:43 | Atualizado 04 de março de 2021 às 14:25

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar nesta quinta-feira (4) as medidas de restrição adotadas em várias regiões para evitar o avanço da pandemia do novo coronavírus e apelou para que governadores repensem o que chamou de "política do fechar tudo"

“Vocês, produtores rurais, não ficaram em casa, não se acovardaram. Temos que enfrentar nossos problemas. Chega de frescura e mimimi. Vão ficar chorando até quando?”, afirmou o presidente, em cerimônia de inauguração de trecho da ferrovia Norte-Sul, na cidade de São Simão, em Goiás.

“Temos que respeitar, obviamente, os mais idosos, os que têm doenças, comorbidades, mas onde vai parar o Brasil se nós pararmos? A própria Bíblia diz, em 365 citações, ‘Não temas’. Sou católico, acredito em Deus, respeitamos as religiões, mas se ficarmos em casa o tempo todo e dizermos que a economia vamos ver depois, qual o futuro do Brasil?”, continuou.

O presidente também voltou a dizer que os efeitos colaterais do que considera uma forma errada de enfrentar a pandemia, priorizando a saúde ante a economia, podem ser mais danosos do que a própria doença. 

“Sempre disse que vamos cuidar da questão do vírus e de desemprego (...) com a mesma responsabilidade, de forma simultânea. Lamentamos qualquer morte no Brasil.”

Bolsonaro também falou que teve sua autoridade "castrada", ao se referir à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que deu, no começo de 2020, autonomia para estados e municípios decidirem sobre medidas de restrição. 

"Apelo aqui, já que me foi castrada a autoridade, para governadores e prefeitos: repensem a política do 'fechar tudo'. O povo quer trabalhar. Venham pro meio do povo, conversem com o povo", disse. "Como eu gostaria de ter o poder, como deveria ser meu, para definir essa política."

Em janeiro, no entanto, a Corte se manifestou e negou que tenha proibido o Planalto de agir para conter a disseminação da Covid-19.

O presidente também criticou medidas que permitem apenas o funcionamento de atividades consideradas essenciais e proíbem, por exemplo, o funcionamento de parte do comércio e de serviços.

"Quando se fala 'essa atividada é essencial, aquela não'... atividade essencial é toda aquela necessária para o chefe de família levar o pão para dentro de casa", afirmou, completando a frase com um palavrão.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante evento em Goiás
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante evento em Goiás
Foto: Reprodução/CNN (04.mar.2021)

Críticas à imprensa

Outro setor que foi alvo das críticas de Bolsonaro durante o evento foi a imprensa. Para o chefe do Executivo, meios de comunicação brasileiros "deturpam tudo" e "ficam com lupa" procurando alguma frase dele que possa ser usada para atacá-lo.

"Que imprensa é essa nossa, que transformou-se num partideco político de esquerda? Há 10 anos, só o jornal O Estado de S. Paulo tinha 500 mil exemplares. Hoje, os dez maiores jornais não tem 500 mil exemplares. Estão perdendo a credibilidade e eu quero uma imprensa forte, cada vez mais livre", afirmou.

"A imprensa é extremamente importante para nós. O que eles publicam aqui dentro repercute lá fora. O pessoal acha que somos, aqui, ainda, seres pré-históricos. Só [fazem] críticas. Não tem uma palavra boa."

Investigação sobre atentado

O presidente também sugeriu haver interesses em ocultar a existência de um suposto mandante por trás do atentado contra ele, durante a campanha eleitoral de 2018. 

"A vida é uma só. Graças a Deus, eu tive duas, mas até hoje não foi descoberto quem foi o responsável, né, porque... tinha muita gente, ainda tem, que não quer apurar a verdade", afirmou.

"Todo mundo procura saber quem era, quem matou aquela vereadora do Rio de Janeiro. Quem tentou me matar, não há interesse, apesar de eu ser o chefe do Executivo eleito", completou, se referindo ao assassinato de Marielle Franco.

Em 2020, a Polícia Federal apontou  à Justiça Federal não ter encontrado evidências de que Adélio Bispo atuou em conjunto com outras pessoas ao tramar o atentado Bolsonaro