'Moro politizou a Justiça brasileira', diz Boulos sobre decisão de Fachin

Ex-candidato à presidência pelo PSOL afirmou acreditar que a esquerda tem condições de derrotar Jair Bolsonaro em 2022

Produzido por Jorge Fernando Rodrigues, da CNN, em São Paulo
08 de março de 2021 às 21:16 | Atualizado 08 de março de 2021 às 21:19

Guilherme Boulos (PSOL), ex-candidato à Presidência em 2018, aprovou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin de anular as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista à CNN na noite desta segunda-feira (8), ele falou dos impactos do caso no cenário político e criticou o ex-juiz Sérgio Moro.

"A decisão foi correta, fez justiça. Eu desde 2018 fui um dos que denunciei o processo arbitrário contra o Lula, sem provas, depois as mensagens da Vaza Jato mostraram isso. Moro politizou a Justiça brasileira nesse caso e, independentemente de gostarem ou não do Lula, o que não pode é um juiz substituir o eleitorado e subverter a democracia por seus gostos e opiniões políticas", afirmou.

Questionado sobre o impacto da decisão no cenário eleitoral de 2022, no qual pode ser um dos candidatos da esquerda, Boulos disse que a possível volta de Lula ao pleito beneficia a democracia brasileira.

"Eu não pauto minhas posições políticas por conveniências eleitorais. Em 2018 estive na linha de frente contra a condenação e prisão do Lula. Nunca coloquei meu nome ou interesses pessoais à frente desse projeto. Não me sinto nem um pouco prejudicado. Essa decisão de hoje é boa para a democracia brasileira", disse.

Guilherme Boulos (PSOL) (08.mar.2021)
Guilherme Boulos (PSOL) (08.mar.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Eleições em 2022

Boulos avaliou também o cenário na eleição presidencial em 2022 e pediu união da esquerda. "A esquerda já tinha todas as condições de estar no segundo turno em 2022, mas não vai ser uma repetição de 2018. O cenário é totalmente outro. O que tenho defendido para as eleições de 2022 é que a esquerda se una, para apresentar projetos, saídas para o país, que está sem rumo, refém de um verdadeiro genocida com mais de 260 mil mortos."

Para o candidato do PSOL, "o antibolsonarismo hoje é a principal força da sociedade brasileira". "Acredito que tenhamos todas as condições para derrotar o Bolsonaro em 2022.  No segundo turno sou a favor que se unam todos, qualquer candidatura lá representada, para derrotá-lo", concluiu.