Gilmar driblou questão das mensagens ao citá-las como 'curiosidade', diz jurista

'Mensagens seriam dispensáveis, mas está acontecendo um campo de batalha pela opinião pública', disse Rubens Glezer

Produzido por Elis Franco, da CNN, em São Paulo
09 de março de 2021 às 21:17 | Atualizado 10 de março de 2021 às 15:16

Responsável pela retomada do julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro nos casos da Operação Lava Jato, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes citou em seu voto, a favor da suspeição, as mensagens hackeadas entre procuradores da operação e Moro, mas não abordou a validade das provas no processo.

Para Rubens Glezer, jurista e coordenador do projeto Supremo em Pauta da FGV-SP, Gilmar “driblou” a questão ao não fundamentar voto nas mensagens, mas sim utilizá-las "a título de curiosidade”.

“Mensagens seriam dispensáveis, mas está acontecendo um campo de batalha pela opinião pública. Gilmar não usou as mensagens como fundamento, mas citou a título de curiosidade. Aconteceu algo semelhante com áudios de Dilma e Lula quando ele disse não ter usado a gravação, mas leu sua transcrição durante a leitura de seu voto.”

Destino esperado

Glezer disse também que o destino da Operação Lava Jato foi semelhante ao da Operação Mãos-Limpas, que ocorreu na Itália e que é inspiração confessa de Sergio Moro para as investigações brasileiras.

“O destino trágico da Lava Jato poderia ser evitado, porque foi o que aconteceu na operação Mãos-Limpas, que foi inspiração declarada da Lava Jato. Na Itália, depois de um momento de promissor combate à corrupção ter abalado a estrutura política do país, a agenda de combate à corrupção se enfraqueceu e o mundo político conseguiu se articular para tornar mais difícil o combate à corrupção.”

O ministro do STF Gilmar Mendes
O ministro do STF Gilmar Mendes
Foto: Carlos Moura - 12.fev.2020 / SCO - STF