À CNN, Lula pede a Biden que reúna G20 por vacinas e fala sobre candidatura

Da CNN, em São Paulo
17 de março de 2021 às 21:24 | Atualizado 17 de março de 2021 às 22:29

Em entrevista exclusiva à CNN, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, convoque uma reunião emergencial do G20 para tratar da expansão da vacinação no mundo.

"Uma sugestão que eu gostaria de fazer ao presidente Biden através do seu programa é: É muito importante convocar uma reunião do G20 urgentemente", disse Lula à jornalista Christiane Amanpour. "É importante convocar os maiores líderes do mundo e colocar sobre a mesa uma única coisa, um único assunto. Vacina, vacina e vacina".

O ex-presidente elogiou Biden, que chamou de "um respiro para a democracia mundial", e pediu que os Estados Unidos cogitem a possibilidade de doar as vacinas contra a Covid-19 adquiridas em excesso ao Brasil ou outros países mais pobres.

"Eu sei que os Estados Unidos possuem vacinas em excesso e que não serão usadas todas essas vacinas. E talvez essa vacina, quem sabe, possa ser doada ao Brasil ou a outros países, até mais pobres do que o Brasil, que não podem pagar por essa vacina", afirmou Lula à CNN.

Ainda falando a Biden, Lula disse "não acreditar" no governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"A responsabilidade dos líderes internacionais é tremenda, então eu estou pedindo ao presidente Biden que faça isso porque eu não posso. Eu não acredito no meu governo. E assim, eu não poderia pedir isso a Trump, mas Biden é um respiro para a democracia no mundo", disse o ex-presidente brasileiro.

Condenado em 2017 por causa das investigações da Operação Lava Jato, Lula, de 75 anos, teve as sentenças da 13ª Vara Federal contra ele anuladas na semana passada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão de Fachin tornou Lula novamente elegível, até que os processos sejam julgados pelo tribunal do Distrito Federal. 

Na entrevista a Christiane Amanpour, Lula admitiu a possibilidade de ser candidato a presidente da República nas eleições de 2022. Lula, no entanto, disse que a decisão dependerá do PT e partidos aliados.

"Quando chegar o momento de concorrer às eleições, se o meu partido e os partidos aliados entenderem qu eu posso ser o candidato, se eu estiver bem, com a saúde e energia que eu tenho hoje, eu posso reassegurar que eu não vou negar essa convocação, mas eu não quero falar sobre isso. Essa não é a minha maior prioridade. Minha maior prioridade agora é salvar esse país", disse o ex-presidente.

Na entrevista à CNN, o ex-presidente reiterou as suas críticas à condução da pandemia da Covid-19 por parte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Se nós tivéssemos um presidente que respeitasse a população, teríamos criado um comitê de crise para guiar a sociedade brasileira no que fazer toda semana", acrescentou Lula.