Interesse pela Sputnik V une Bolsonaro e governadores do Norte e Nordeste

Reunião com Anvisa entre chefes de 12 estados procura agilizar importação da vacina desenvolvida na Rússia

Da CNN, em São Paulo
06 de abril de 2021 às 19:24

Governadores de 12 estados, a maioria do Norte e Nordeste, estão reunidos com a Anvisa nesta terça-feira (6) para pedir agilidade para autorização de uso emergencial e de importação da vacina contra a Covid-19 Sputnik V.

A negociação envolve Acre, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e Sergipe. A agência diz que os governadores querem importar no total 66,6 milhões de doses - a maior parte iria para a Bahia, que pretende adquirir quase 10 milhões.

A Anvisa já rejeitou dois pedidos de uso emergencial do imunizante - um em janeiro e outro semana passada - alegando que faltaram documentos. O certificado de boas práticas já foi dado à fábrica da farmacêutica brasileira que produzirá as doses no país, mas ele ainda não foi emitido para as fábricas da Rússia e do Distrito Federal.

Insumos para a vacina Sputnik
Laboratório União Química se reúne com embaixador russo para discutir produção da vacina Sputnik V
Foto: Divulgação/União Química

 

O interesse pela vacina acaba sendo um ponto em comum entre os governadores e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que disse à CNN que "há uma grande possibilidade de o Brasil fabricar a Sputnik V".

Há um mês, o consórcio do Nordeste fechou a compra da vacina russa com a expectativa de que a Anvisa pudesse autorizar a importação o quanto antes, pois tinham de informação na época de que o processo seria um pouco mais célere por se tratar apenas de importação e não de produção no país - sendo analisada novamente quando viesse a ser produzida.

Segundo a analista da CNN Thais Arbex, a Anvisa está tentando ter mais elementos para conseguir dar o aval à vacina russa. Mas governadores do Nordeste, em grande parte opositores ao governo Bolsonaro, dizem enxergar um aspecto político: acham que o presidente começa a agir depois que os governadores se colocaram à frente da compra, como aconteceu em São Paulo com a Coronavac.