Celso de Mello: Bolsonaro é despreparado e insensato ao não decretar lockdown

Ex-ministro do STF enviou texto crítico ao presidente da República a uma lista de contatos que inclui atuais magistrados da Corte

Fernando Molica
Por Fernando Molica, CNN  
07 de abril de 2021 às 21:10 | Atualizado 07 de abril de 2021 às 21:12
O ministro do STF Celso de Mello
O ministro do STF Celso de Mello
Foto: Rosinei Coutinho - 17.out.2019 / SCO - STF

Em texto enviado por Whatsapp, o ex-ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), classifica de "gesto insensato" e de "repulsivo e horrendo 'grito necrófilo'" a recusa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de decretar um lockdown nacional por conta da pandemia da Covid-19.

Para o ex-ministro,  o gesto do presidente é "próprio de quem não possui o atributo virtuoso do 'statesmanship'" (estadista) e se caracteriza, "em face de seu inqualificável despreparo político e pessoal", "pela nota  constrangedora e negativa reveladora daquela 'obtusidade córnea' de que falava Eça de Queirós".

Ao elogiar os resultados das medidas de restrição adotadas em Araraquara (SP), Mello afirma que Bolsonaro "tornou-se, com justa razão, o Sumo Sacerdote que desconhece tanto  o valor e a primazia da vida quanto o seu dever ético de celebrá-la incondicionalmente!!!".

Aposentado desde outubro do ano passado, Mello afirma que o presidente julga ser "um monarca absolutista ou um contraditório 'monarca presidencial'".

Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro falou após visita a centro de combate à Covid-19 em Chapecó (SC)
Foto: Reprodução/CNN Brasil (7.abr.2021)

O ex-ministro afirma que a atitude do presidente faz lembrar "o conflito entre Miguel de Unamuno, Reitor da Universidade de Salamanca no início da Guerra Civil espanhola, em 1936, e o General Millán Astray, falangista e seguidor do autocrata Francisco Franco, 'Caudilho de Espanha'”.

Para Mello, as medidas tomadas em Araraquara são exemplo para o Brasil e seguiram recomendações da Organização Mundial da Saúde e de outros países, "governados por políticos responsáveis que repudiam as insensatas (e destrutivas) teses negacionistas!".

O texto foi enviado para amigos, entre eles, ministros do STF.

O Palácio do Planalto informou que não irá se manifestar sobre o texto de Mello.