Quem é quem: Os senadores indicados para compor a CPI da Covid-19

Nomes escolhidos por partidos indicam independência e relação com fatos investigados, como origem médica ou do estado do Amazonas

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
13 de abril de 2021 às 22:55 | Atualizado 14 de abril de 2021 às 22:56
Senadores Renan Calheiros, Ciro Nogueira e Randolfe Rodrigues, cotados para CPI
Foto: Senadores Renan Calheiros, Ciro Nogueira e Randolfe Rodrigues, cotados para CPI da Covid-19

O Senado leu na terça-feira (13) o requerimento que propõe a abertura da CPI da Covid-19 para apurar as "ações e omissões" do governo que possam ter permitido o agravamento da pandemia no Brasil, em especial a falta de oxigênio para pacientes internados em Manaus (AM) em janeiro.

Com a leitura, os blocos partidários e partidos políticos puderam fazer as suas indicações para a comissão. A CPI terá 11 membros titulares e 7 membros suplentes. O presidente e o relator serão definidos na primeira sessão da comissão, ainda sem data para acontecer.

Os integrantes da CPI são escolhidos a partir de um critério de proporcionalidade. Quanto mais cadeiras no Senado, mais vagas da CPI os partidos e blocos partidários dispõem para a composição da comissão. Os nomes são apontados pelas lideranças dos partidos ou blocos, mas podem ser alterados no decorrer da investigação.

Entre os listados, estão os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Eduardo Girão (Podemos-CE), os dois proponentes da CPI sobre o tema. A CPI terá poder de investigar o papel do governo federal e o destino das verbas federais em estados e municípios.

Composição da CPI da Covid-19 no Senado (13.abr.2021)
Composição da CPI da Covid-19 no Senado (13.abr.2021)
Foto: Reprodução/CNN

A proposta de CPI apresentada por Randolfe coloca como ponto de partida os casos ocorridos em Manaus. Dois ex-governadores do Amazonas foram escolhidos para compor o colegiado: Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM).

Os partidos também escalaram os profissionais da saúde das suas bancadas. Médicos de formação, Otto Alencar (PSD-BA) e Humberto Costa (PT-PE) foram selecionados. Costa foi ministro da Saúde do governo Lula, entre 2003 e 2005. O suplente indicado pelo bloco de PT e Pros, Rogério Carvalho, também é médico e foi secretário da Saúde de Sergipe.

À bancada, em pronunciamento, senador Ciro Nogueira (PP-PI)
À bancada, em pronunciamento, senador Ciro Nogueira (PP-PI)
O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, considerado aliado do presidente Jair BolsonaroCrédito: À bancada, em pronunciamento, senador Ciro Nogueira (PP-PI).
  • À bancada, em pronunciamento, senador Ciro Nogueira (PP-PI)
  • À bancada, em pronunciamento, senador Renan Calheiros (MDB-AL).
  • Senador Eduardo Braga (MDB-AM) em pronunciamento
  • Senador Eduardo Girão (Podemos-CE) em sessão sobre a Covid-19
  • Senador Marcos do Val (Podemos-ES) durante pronunciamento
  • Senador Tasso Jereissati durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça
  • Senador Otto Alencar (PSD-BA)
  • Omar Aziz, na época como governador do Amazonas
  • Senador Angelo Coronel (PSD-BA)
  • Senador Humberto Costa (PT-PE)
  • O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) 12.abr.2021)
  • Marcos Rogério
  • Jorginho Mello
  • O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) (09.abr.2021)

Os senadores da CPI da Covid-19

Bloco MDB, PP e Republicanos

Ttulares - Ciro Nogueira (PP-PI), Eduardo Braga (MDB-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL)

Suplentes - Jader Barbalho (MDB-PA) e Luis Carlos Heinze (PP-RS)

À bancada, em pronunciamento, senador Ciro Nogueira (PP-PI)
O senador Ciro Nogueira (PP-PI)
Foto: À bancada, em pronunciamento, senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Ciro Nogueira - Presidente nacional do partido Progressistas (PP), foi um dos articuladores da aproximação dos partidos do dito Centrão com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Nogueira já foi próximo de outros governos e foi reeleito em 2018 em aliança com o governdor do Piauí, o petista Wellington Dias.

Eduardo Braga - Foi governador do Amazonas por dois mandatos, entre 2003 e 2010, quando renunciou para se eleger senador pela primeira vez. Braga, que também foi ministro de Minas e Energia e prefeito de Manaus, é visto como parlamentar independente ao governo.

À bancada, em pronunciamento, senador Renan Calheiros (MDB-AL).
O senador Renan Calheiros (MDB-AL)
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Renan Calheiros -  É um dos nomes mais antigos no Senado brasileiro. Ele está há 26 anos na Casa e tem mandato até janeiro de 2027. Foi três vezes presidente do Senado, além de ministro da Justiça no governo FHC. É pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB).

Jader Barbalho - Outro senador experiente, também pai de um governador de Estado -- Helder Barbalho (MDB), do Pará. Jader Barbalho também já governou o estado natal em duas oportunidades, entre 1983 e 1987 e 1991 e 1994. Em sua primeira passagem como senador, foi eleito presidente da Casa em 2001, mas deixou a função e posteriormente renunciou ao cargo ao enfrentar acusações de corrupção na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Em 2002, se elegeu deputado federal, reeleito em 2006. A renúncia de 2001 o levou a ser considerado inelegível em 2010 pela Lei da Ficha Limpa. Ele renunciou aos últimos dois meses de mandato na Câmara, alegando protesto contra a decisão. Em 2011, após um recurso, conseguiu tomar posse novamente como Senado, se reelegendo em 2018.

Luis Carlos Heinze - O político, filiado ao Progressistas do Rio Grande do Sul, foi inicialmente prefeito de São Borja (RS), cargo que exerceu entre 1993 e 1996. Em 1998, se elegeu deputado federal pela primeira vez, permanecendo na Câmara por cinco mandatos. Em 2018, se elegeu senador.

Bloco Podemos, PSDB e PSL

Titulares: Eduardo Girão (Podemos-CE) e Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Suplente: Marcos do Val (Podemos-ES)

Senador Eduardo Girão (Podemos-CE) em sessão sobre a Covid-19
O senador Eduardo Girão (Podemos-CE)
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Eduardo Girão - Empresário, Girão ficou conhecido em seu estado inicialmente como presidente do Fortaleza Esporte Clube. Em 2018, foi eleito senador pelo Pros, derrotando o então presidente do Senado, Eunício Oliveira. No início do mandato, mudou de legenda e se filiou ao Podemos. Foi o autor do requerimento de CPI para investigar estados e municípios.

Senador Tasso Jereissati durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Tasso Jereissati - Liderança tradicional do PSDB, Tasso já foi presidente nacional do partido em três oportunidades. O empresário foi governador do Ceará por três mandatos, o primeiro entre 1987 e 1991 e os dois seguintes entre 1995 e 2002. Está no segundo mandato, não consecutivo, no Senado, casa à qual retornou em 2015, após um hiato de quatro anos.

Marcos do Val - Senador de primeiro mandato, Marcos do Val é instrutor de segurança privada e palestrante. Em 2018, filiado ao PPS (atual Cidadania), se elegeu senador pelo Espírito Santo. No ano seguinte, mudou de legenda, ingressando no Podemos.

PSD

Titulares: Omar Aziz (PSD-AM) e Otto Alencar (PSD-BA)

Suplente: Angelo Coronel (PSD-BA)

Omar Aziz - Engenheiro de formação, Aziz começou a carreira como deputado estadual no Amazonas e depois atuou como vice de dois políticos tradicionais no estado. Foi vice-prefeito de Manaus entre 1996 e 2002, na gestão do então prefeito Alfredo Nascimento (PL), e vice-governador entre 2003 e 2010, na gestão do hoje colega de senado Eduardo Braga (MDB). Aziz assumiu como governador do Amazonas com a renúncia de Braga e se reelegeu em 2010, deixando o posto em 2014 para ele também se eleger senador.

Senador Otto Alencar (PSD-BA)
Senador Otto Alencar (PSD-BA)
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Otto Alencar - Médico, que já foi professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Alencar já transitou entre diferentes espectros da política. O senador começou a sua carreira mais próximo ao antigo "carlismo", grupo liderado por Antônio Carlos Magalhães que comandou os principais cargos da Bahia no final dos anos 1990. Alencar foi governador da Bahia por oito meses em 2002, filiado ao PFL de ACM, após a renúncia do governador César Borges. Voltou às posições de destaque em 2011, novamente vice-governador, mas agora ao lado de Jaques Wagner (PT). Em 2015, tomou posse como senador.

Angelo Coronel - Senador de primeiro mandato, começou a carreira política em 1989, como prefeito da sua cidade natal, Coração de Maria (BA). Depois, permaneceu por mais de duas décadas na Assembleia Legislativa da Bahia até se eleger para o Senado em 2018. É o presidente da CPMI das Fake News. Deve ser suplente, não titular, da CPI.

Bloco DEM, PL e PSC

Titulares: Marcos Rogério (DEM-RO) e Jorginho Mello (PL-SC)

Suplente: Zequinha Marinho (PSC-PA)

Marcos Rogério
Senador Marcos Rogério, do DEM-RO
Foto: Câmara dos Deputados (Flickr)

Marcos Rogério - Marcos Rogério da Silva Brito é senador pelo partido Democrata do estado de Rondônia. Sua carreira política começou quando foi eleito vereador na cidade de Ji-Paraná, em seu estado natal, pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista). Ele foi eleito deputado federal em 2011 e novamente em 2015, nesta segunda vez já como integrante do DEM. Em 2018, foi eleito senador. Ele foi relator do processo de cassação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, entre 2015 e 2016, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Rogério considera-se evangélico e faz parte da Igreja Evangélica Assembleia de Deus.

Jorginho Mello
Jorginho Mello, senador pelo PL de Santa Catarina
Foto: Agência Senado

Jorginho Mello - O senador, considerado um aliado do presidente Bolsonaro, confirmou em sua conta no Twitter que será indicado pelo bloco como titular da CPI. Mello exerceu quatro mandatos como deputado estadual de Santa Catarina, entre 1995 e 2011. Elegeu-se deputado federal em 2010 e novamente em 2014. Em 2018, tornou-se senador.

Zequinha Marinho - O senador é filiado desde 2009 ao PSC, em sua terceira passagem pelo partido. Desde o ingresso na vida pública em 1992, passou também por PDT, PTB e duas vezes pelo PMDB, atual MDB. Marinho foi deputado estadual entre 1997 e 2003 e deputado federal entre 2003 e 2014, quando se elegeu vice-governador do Pará, na chapa de Simão Jatene (PSDB). Em 2018, foi eleito para o Senado.

Bloco PT e Pros

Titular: Humberto Costa (PT-PE)

Suplente: Rogério Carvalho (PT-SE)

Humberto Costa - Médico, Costa foi o primeiro ministro da Saúde dos governos do PT, nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2003. Antes, era secretário de Saúde do Recife, também em uma gestão petista. Após deixar o governo Lula em 2005, Humberto Costa integrou a gestão do então governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), de 2007 a 2010, quando se elegeu senador pela primeira vez. Foi reeleito em 2018.

Senador Humberto Costa (PT-PE)
Senador Humberto Costa (PT-PE)
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Rogério Carvalho - O provável suplente do PT na CPI também é médico e também foi secretário da Saúde. Carvalho ocupou o cargo no governo do Sergipe entre 2007 e 2010, na gestão de Marcelo Déda (PT). Em 2011, assumiu como deputado federal, tentando, sem sucesso, uma vaga no Senado em 2014. Em 2018, na segunda tentativa, foi eleito para o cargo.

Bloco PDT, Cidadania, Rede e PSB

Titular: Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

Suplente: Alessandro Vieira (Cidadania-SE)

O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) 12.abr.2021)
O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) 12.abr.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Randolfe Rodrigues - Autor do pedido original para a CPI da Covid, Randolfe Rodrigues iniciou a sua carreira no PT, partido pelo qual se elegeu deputado estadual em 1998, tendo feito parte do grupo de políticos que se desfiliou em 2005 para a criação do PSOL. Em 2010, Randolfe se elegeu senador pela primeira vez. Ele deixou o PSOL em 2015 para participar da criação da Rede, partido pelo qual foi reeleito em 2018.

Pedro França/Agência Senado
O senador Alessandro Viera (PPS-SE) - 24.abr.2020
Foto: Pedro França/Agência Senado

Alessandro Vieira - Delegado da Polícia Civil do Sergipe, Alessandro Vieira chegou ao posto de comandante da corporação em 2016, ganhando destaque após a sua exoneração por divergências públicas com o então governador, Jackson Barreto (MDB). Foi eleito senador em 2018 pela Rede, mas mudou de partido antes mesmo da posse, ingressando no PPS, o atual Cidadania.