CPI da Pandemia não é necessariamente uma caça às bruxas, diz especialista

A professora de Direito da USP Maristela Basso afirmou à CNN que a comissão precisa ser encarada como um 'exercício da democracia'

Produzido por Juliana Alves e Vinicius Tadeu, da CNN, em São Paulo
17 de abril de 2021 às 18:01 | Atualizado 17 de abril de 2021 às 18:02

A professora de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Maristela Basso afirmou neste sábado (17), em entrevista à CNN, que a CPI da Pandemia não será necessariamente uma "caça às bruxas" de políticos. Segundo a especialista, a comissão pode até mesmo ter um efeito de reconciliação. 

"Em torno da CPI da Pandemia há evidentemente uma certa sombra de mistério, mas também há muito exagero nisso", afirmou Basso. 

"A comissão é um instrumento que está à disposição de todos nós e é uma atividade normal do poder Legislativo. É algo que temos que encarar como um exercício da democracia."

'Mapa da guerra'

O nome do senador Renan Calheiros (MDB-AL) como o relator da CPI já está praticamente fechado no posto e seus aliados já começaram a montar as estratégias para conduzir a comissão, segundo informações da âncora e analista da CNN Daniela Lima.

Aliados de Renan Calheiros o aconselharam a convocar um ou dois auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) para auxiliar a análise dos dados das investigações, como é de praxe em CPIs. 

Auditores do TCU já indicaram que querem abrir processos em dois casos específicos contra o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello por conta da crise de oxigênio em Manaus, a falta de campanha de conscientização contra a Covid 19 e pelo investimento em medicamentos sem eficácia cientificamente comprovada contra o novo coronavírus.

Renan também vai requisitar as investigações em andamento no Ministério Público Federal do Amazonas contra Pazuello. O inquérito, que corre na Justiça de primeira instância, investiga a gestão do governo federal durante a crise da falta de oxigênio em Manaus.

Para a professora, há o risco de a CPI da Pandemia girar em torno de interesses que não sejam necessariamente um combate mais efetivo aos efeitos da Covid-19 no Brasil.

"Poderemos ter uma CPI aliada com os interesses públicos ou uma frágil, que está olhando mais para os interesses político-partidários momentâneos", afirmou.

A professora de direito da USP Maristela Basso falou sobre a CPI da Pandemia
A professora de Direito da USP Maristela Basso conversou com a CNN sobre a CPI da Pandemia (17.abr.2021)
Foto: Reprodução / CNN