Não pode subir caixão de 400 mil e fazer palanque político, diz Girão sobre CPI

Em entrevista à CNN, senador Eduardo Girão (Podemos-CE) antecipou como deve ser conduzida a ordem dos depoimentos na CPI da Pandemia

Anna Gabriela Costa e Jorge Fernando Rodrigues, da CNN, em São Paulo
01 de maio de 2021 às 19:24 | Atualizado 01 de maio de 2021 às 19:58

Em entrevista à CNN neste sábado (1), o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), integrante da CPI da Pandemia, comentou os desdobramentos do processo que terá início na próxima semana. A comissão irá ouvir os ex-ministros da Saúde e, segundo Girão, deve ser conduzida de forma equilibrada para não ser cenário de "palanque político".

"Nós precisamos de muita imparcialidade nessas CPI para darmos um retorno à população brasileira sem fazer palanque político, que é uma tendência, infelizmente, como começou. Sem fazer palanque político em cima de 400 mil mortos. Não podemos subir em caixão de 400 mil brasileiros e antecipar palanque político", afirmou.

O senador antecipou à CNN que a condução dos depoimentos se dará de forma alternada, contemplando ministros, governadores e, se necessário, prefeitos e integrantes do Ministério Público de cada região.

"Vou propor, em uma questão de ordem, antecipando isso para vocês em primeira mão, que a gente faça isso de forma alternada. A gente vai começar a ouvir os ex-ministros e estou preparando perguntas aqui. Acredito que a gente vai alternar: alguém do governo federal, e pode chamar quem quer que seja, eu aprovo isso, para mim pode vir quem tiver que vir para a gente buscar a verdade. Mas que também chame autoridades do MP nos estados, eventuais governadores, prefeitos, pessoas chaves, porque escândalos não faltaram", disse Girão.

'Nenhum poder está acima do outro'

Girão voltou a falar sobre a necessidade em ouvir, na CPI da Pandemia, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. 

"A gente precisa ouvir o ministro Marco Aurélio Mello, com todo respeito, que ele venha aqui ao Senado Federal para mostrar o impacto da decisão dele. Foi positivo ou não quando ele tirou atribuições do governo central e repassou a estados e municípios? Isso ocasionou mais mortes de brasileiros? Ocasionou menos mortes?", questionou o senador. 

O senador acrescentou ainda que a contribuição do ministro irá contribuir para o andamento da CPI, que investiga as ações das autoridades durante a pandemia de Covid-19 no Brasil. 

"Nenhum poder está acima do outro, é um convite respeitoso, não é questionando a decisão dele. A gente quer apenas saber se o Supremo Tribunal Federal, que mandou o Senado Federal fazer essa CPI, se ele deve ter algum tipo de monitoramento com aquela decisão de um ano atrás, isso vai contribuir para o andamento da CPI", disse.