Negociação com a Pfizer não ficou parada, diz senador Heinze

A carta enviada pela farmacêutica ao governo federal foi um dos principais assuntos tratados durante o depoimento de Fabio Wajngarten na CPI da Pandemia

Rafaela Lara, da CNN, em São Paulo
13 de maio de 2021 às 09:41 | Atualizado 13 de maio de 2021 às 10:22

Para o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), suplente da CPI da Pandemia, as negociações do governo para compra de vacinas contra a Covid-19 com a farmacêutica Pfizer não ficaram paradas por dois meses, como alegou o ex-secretário de Comunicação Social da Presidência da República Fabio Wajngarten, durante depoimento nesta quarta-feira (12).

Segundo Heinze, as tratativas com a farmacêutica eram feitas desde maio do ano passado. "Desde 28 de maio se iniciaram as conversações entre a Pfizer e a área técnica do Ministério da Saúde. Foram mais de 20 reuniões, isso na parte técnica e científica e, depois, a parte da comercialização é outra etapa, mas em dezembro já estava acertado. Nesse mesmo período, estava sendo negociada a Oxford/Fiocruz e Coronavac/Butantan e outros medicamentos estavam sendo negociados. Não houve negligência. Temos o documento que chegou em setembro e no mesmo dia foi despachado para o Ministério da Saúde, não ficou parado na presidência", disse em entrevista à CNN.

O envio da carta da Pfizer ao presidente Jair Bolsonaro e membros do governo federal em 12 de setembro de 2020, revelada pelo analista de política da CNN Caio Junqueira, foi um dos assuntos principais do depoimento de Wajngarten na quarta. Durante a sessão, o ex-secretário afirmou que a correspondência ficou sem resposta por dois meses e que foi ele quem procurou o presidente em 9 de novembro.

Segundo Heinze, na sessão desta quinta-feira (13), que ouvirá o CEO da América Latina da farmacêutica Pfizer, Carlos Murillo, será discutido "o contrato leonino" da empresa com o Brasil. "As negociações estavam sendo feitas, vamos discutir hoje o contrato leonino que a Pfizer tinha com o Brasil, contrato que eles fizeram com Israel e com a Europa, que são diferentes. Por que tratar o Brasil como país de segunda categoria? Essas questões estavam sendo discutidas", disse.

O suplente da Comissão Parlamentar de Inquérito ainda classificou a sessão desta quarta como "um circo" ao comentar a atuação do relator, Renan Calheiros (MDB-AL) e as perguntas feitas a Wajngarten.