Senador Rogério Carvalho: Governo não precisava de lei para comprar vacina

Parlamentar, que é suplente na CPI da Pandemia, diz que governo tinha recursos para adquirir imunizantes contra Covid-19 ainda em 2020

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo; produzido por Jorge Fernando Rodrigues, da CNN, em São Paulo
13 de maio de 2021 às 08:51

O senador Rogério Carvalho (PT-SE), suplente da CPI da pandemia, afirmou nesta quinta-feira (13) que a justificativa apresentada pela União de que precisava de uma lei do Congresso para a compra do imunizante da Pfizer não é verdadeira.

"O governo não precisa de lei para comprar vacina, para comprar qualquer insumo. Ele precisa de orçamento e orçamento ele tinha", disse à CNN.

O petista afirmou também que os representantes do governo federal mentem na comissão para esconder crime de saúde pública "que vem praticando de forma sequenciada". "O governo tinha dinheiro, porque estava em cima do orçamento emergencial, e só foi comprar vacina por determinação do ministro [Ricardo] Lewandowski [do Supremo Tribunal Federal], que obrigou o governo a apresentar um Plano Nacional de Imunização", disse Carvalho.

Para o senador, o principal crime contra a saúde pública cometido pelo governo foi a não aquisição de vacinas contra o novo coronavírus no prazo certo, algo que ele considera ser uma responsabilidade direta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Estamos diante de um presidente que poderia ter adquirido 70 milhões de doses, já ter aplicado na população, toda a população de risco estaria vacina, já teríamos uma situação muito melhor e teríamos evitado milhares de mortes", afirmou.

 Carvalho disse esperar que o depoimento do ex-CEO da Pfizer no Brasil, nesta quinta, comprove a negligência do governo em relação à negociação com a farmacêutica.

"Um dirigente de multinacional não tem o que esconder e vai falar toda a verdade (...) vamos ter a oportunidade de ter dados objetivos da negligência do governo de não se interessar e adquirir doses do imunizante que é um dos mais eficientes que temos hoje", disse.

Senador Rogério Carvalho (PT-SE), suplente da CPI da Pandemia
Foto: CNN Brasil (13.mai.2021)

Decisão de não prender Wajngarten

 O senador avaliou como correta a decisão tomada na véspera pelo presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), de não determinar a prisão do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten, como pedido pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL).

 "Eu diria que sim [foi correta a decisão]. Estamos no começo de um trabalho, precisamos ter clima para tocar os trabalhos de forma mais harmônica. A proposta do senador Humberto Costa (PT-PE) para que fosse encaminhado ao Ministério Público foi uma saída melhor, em que a CPI não cumpre um papel que o presidente não queria, que é mandar prender alguém sem um julgamento."

 Ele disse ainda que acredita na aprovação dos requerimentos que pedem a quebra do sigilo do ex-secretário para que a comissão possa entender, de fato, o quanto ele se envolveu nas negociações com a Pfizer e qual era seu interesse nesse imunizante.