Gestão de Araújo teve preconceito com Venezuela e China, diz Kátia Abreu à CNN

Senadora teve novo embate com ex-chanceler durante depoimento à CPI da Pandemia nesta terça-feira (18)

Guilherme Venaglia e Thiago Felix, da CNN, em São Paulo
18 de maio de 2021 às 18:30 | Atualizado 18 de maio de 2021 às 18:59

Em entrevista exclusiva à CNN nesta terça-feira (18), a senadora Kátia Abreu (PP-TO) reiterou as críticas à gestão de Ernesto Araújo, feitas durante a sessão da CPI da Pandemia que ouviu o ex-ministro das Relações Exteriores.

Para a senadora, Araújo demonstrou "preconceito" com países como Venezuela e China, com os quais, avalia, deveria ter estreitado laços para o enfrentamento da pandemia da Covid-19. Ela cita especificamente a questão da falta de abastecimento de oxigênio em Manaus no início do ano, quando o governo venezuelano ofereceu ajuda ao Brasil. À CPI, o ex-ministro confirmou que não fez nenhum gesto de reconhecimento ao país vizinho pelo apoio.

"Isso é preconceito contra a Venezuela. Imagina se eu fosse diferenciar o oxigênio da Venezuela, da Bolívia ou do Peru", criticou Kátia Abreu à CNN. A senadora preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado, mas não é titular da CPI da Pandemia. "Queremos dar uma resposta às pessoas que perderam um familiar", afirmou.

Para embasar suas críticas ao ex-ministro, a senadora citou também a farmacêutica chinesa Sinopharm, também produtora de vacina contra a Covid-19. Ela questiona o porquê de o Brasil não ter negociado com a Sinopharm e reforçou que a única parceria com uma empresa chinesa do ramo foi fechada com a Sinovac, da Coronavac, pelo Governo de São Paulo.

"Preconceito com a China", criticou. Para Kátia Abreu, o Brasil não deve se propor a avaliar os governos de outros países, atribuindo a rejeição às vacinas do país asiático pelo fato de este adotar o regime comunista.

A senadora Kátia Abreu (PP-TO) conversou com a CNN sobre a CPI da Pandemia (18.mai.2021)
Foto: Reprodução / CNN

A parlamentar comparou a sua pauta para a diplomacia com um condomínio predial. "O chanceler, a diplomacia brasileira, tem que fazer isso. Manter uma boa relação com as pessoas sem se meter nas vidas pessoais delas", justificou.

Crítica

Pela manhã, a senadora Kátia Abreu fez uma inquirição enfática do ex-ministro Ernesto Araújo na CPI da Pandemia. O trecho das críticas da parlamentar, que questionou posturas contra a China, repercutiu nas redes sociais.

À CPI, o ex-ministro Ernesto Araújo disse não ter feito nenhuma declaração "antichina"

"Não entendo nenhuma declaração minha como anti-chinesa. Houve determinados momentos que o Itamaraty e eu nos queixamos de questões do embaixador da China em Brasília, mas nenhuma declaração que pode ser classificada como antichinesa. Não há nenhum impacto de algo que nunca existiu", afirmou.

Ele ainda argumentou que a postura do Itamaraty com a China não foi responsável pelo atraso dos insumos necessários para a produção das vacinas contra a Covid-19.

"Não há nenhuma indicação que em nossa política externa tenha sido responsável pelos atrasos dos insumos em janeiro, quando eu estava no cargo, tenho os elementos para afirmar (...) A minha diplomacia, tenho certeza, foi uma boa diplomacia."