Pazuello volta ao Senado para segundo dia de depoimento à CPI nesta quinta (20)

A sessão continua do mesmo ponto que parou, retomando fila de 23 senadores que se inscreveram para questionar o ex-ministro

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
20 de maio de 2021 às 04:30 | Atualizado 20 de maio de 2021 às 06:55

Oitiva mais aguardada da CPI da Pandemia, o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello não se esgotou em um único dia de sessão no Senado. Prevista para durar apenas a quarta-feira (19), a fala prossegue nesta quinta-feira (20), a partir das 9h30, com governistas buscando manter a defesa de Pazuello e a oposição tentando explorar o que vê como "contradições" do primeiro dia.

Não será um novo depoimento do zero, de modo que a etapa de oitiva alongada do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), não está prevista para se repetir. A sessão continua do mesmo ponto que parou, retomando a fila de 23 senadores que se inscreveram para questionar o ex-ministro e ainda não conseguiram fazê-lo.

A sessão da quarta-feira foi suspensa diante da abertura da análise de projetos no plenário do Senado -- por regimento, as comissões não podem funcionar simultaneamente com o foro principal de votação. O plano inicial era retomar a sessão, mas o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), argumentou que a extensão da lista de espera e a expectativa de que a sessão do plenário não terminaria tão cedo fizeram com que ele desistisse da ideia.

No momento em que a sessão foi interrompida, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) fazia questionamentos duros ao ex-ministro. Braga afirmou que Pazuello está equivocado sobre a extensão da falta de abastecimento de oxigênio em Manaus e criticou a atuação do governo federal na crise.

As 'contradições' de Pazuello

Após a interrupção, tanto Renan Calheiros quanto o vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), falaram que o depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello provcava a necessidade de acareações com outras testemunhas.

Pazuello trouxe à CPI versões diferentes que as dadas por outras pessoas ouvidas antes, como o presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, e o ex-chanceler Ernesto Araújo. No entanto, o próprio Randolfe admitiu mais tarde que a CPI tem pouco tempo hábil para promover esses encontros. Por isso, a ideia é aproveitar o segundo dia de depoimento para elucidar esses pontos.

Entre as divergências a serem exploradas, está a falta de oxigênio para pacientes intubados com a Covid-19 em Manaus. Pazuello afirmou ter sido avisado da gravidade da situação apenas no dia 10 de janeiro, três dias antes da escassez. A Secretaria de Saúde do Amazonas reafirmou em nota que o ex-ministro foi contatado por ajuda no dia 7 daquele mês.

O ex-ministro da Saúde obteve um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) que permite a ele não responder às perguntas da CPI que julgue que podem incriminá-lo. No entanto, Pazuello tem a obrigação de dizer a verdade sobre aquilo que decidir responder.

As negociações sobre vacinas também devem voltar à discussão. O ex-ministro afirmou à CPI não ter recebido qualquer ordem do presidente Jair Bolsonaro para não contratar a Coronavac, vacina do Instituto Butantan. No entanto, Bolsonaro foi às redes sociais na época para dizer que tinha desautorizado a contratação. Em vídeo ao lado do presidente, Pazuello afirmou que "um manda e o outro obedece".

Agenda

O depoimento de Eduardo Pazuello estava inicialmente previsto para ocorrer no dia 5 deste mês, na mesma semana em que os demais ministros da Saúde do governo Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Marcelo Queiroga. Pazuello alegou à CPI ter tido contato com pessoas contaminadas pela Covid-19.

A continuidade por mais um dia do depoimento do ex-ministro adia para a próxima terça-feira (25) o depoimento da secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde do ministério, Mayra Pinheiro.

A médica pediatra, conhecida como "Capitã Cloroquina", foi citada no primeiro dia de depoimento de Pazuello como a autora da ideia do aplicativo TrateCov, que pretendia servir de bússola para estimular o uso de medicamentos do chamado "tratamento precoce", sem eficácia para a Covid-19.