Não há motivos para CPI quebrar sigilo de Carlos Bolsonaro, diz Eduardo Braga

Senador afirma à CNN que comissão deve focar a partir de agora na falta de oxigênio no Amazonas, estado que governou entre 2003 e 2010

Anna Gabriela Costa e Rudá Moreira, da CNN, em São Paulo e em Brasília
20 de maio de 2021 às 22:43 | Atualizado 20 de maio de 2021 às 23:00

Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (20), o senador Eduardo Braga (MDB-AM), integrante do G7 - grupo que reúne senadores independentes e de oposição na CPI da Pandemia - afirmou ser contra a quebra de sigilo do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

"Não vejo fatos que contribuam para uma determinação de quebra de sigilo, de qualquer natureza, do vereador Carlos Bolsonaro", disse o senador.

A maior parte dos integrantes do G7 também não é favorável a um depoimento do vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) na CPI da Pandemia, que investiga as ações do governo federal no enfrentamento à pandemia.

Na avaliação destes senadores, caso optassem pela convocação do filho do presidente da República, a CPI poderia ficar passar a imagem de antagonismo a Bolsonaro, caindo no que gostaria o governo, aponta o analista de política da CNN Fernando Molica.

Na última quinta-feira (13), ao depor na CPI da Pandemia, o presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, relatou a presença do vereador em reunião com representantes da empresa e do governo.

Próximos passos

A CPI da Pandemia retomou nesta quinta-feira (20) o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Durante a oitiva, Pazuello afirmou que não recebeu ordens do presidente Jair Bolsonaro enquanto esteve na pasta da Saúde, reiterando que: "no que tange ao Ministério da Saúde e ao SUS, posso afiançar ao senhor que não tive pressão do presidente Bolsonaro para tomar essa ou aquela decisão”, afirmou o ex-ministro em depoimento. 

Para o senador Eduardo Braga, a próxima fase dos depoimentos deve incluir autoridades do estado do Amazonas; uma vez que a crise de falta de oxigênio nos hospitais do estado foi uma das principais razões para o início da investigação. 

Braga representa Amazonas no Senado, assim como o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD). Ambos já foram governadores do estado. Eduardo Braga, entre 2003 e 2010; e Aziz, de 2010 a 2014.

"Creio que seja indispensável ouvir as autoridades do Amazonas, seja o governador, seja o secretário de Saúde. Precisamos olhar para trás e sinalizar para frente, para salvar vidas e evitar que mais brasileiros venham a morrer por negacionismo. Essa CPI é diferente de todas as outras, porque ela trata de fatos passados e presentes."

O vereador Carlos Bolsonaro
Foto: Dida Sampaio/Estadão (4.jan.2019)