À PGR, Pazuello disse que sabia da crise no Amazonas antes do que afirmou à CPI

Ex-ministro da Saúde afirmou ao Ministério Público ter ficado ciente em 8 de janeiro; aos senadores, o general deu a data de 10 de janeiro

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
09 de junho de 2021 às 19:33 | Atualizado 09 de junho de 2021 às 20:02
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Um relatório parcial das ações do Ministério da Saúde na crise do oxigênio em Manaus encaminhado no dia 17 de janeiro deste ano pelo ex-ministro da saúde Eduardo Pazuello à Procuradoria-Geral da República (PGR) coloca em xeque a versão dada pelo próprio Pazuello à CPI da Pandemia sobre a data em que ele soube da crise do oxigênio no Amazonas no início do ano.

O documento a que a CNN teve acesso tem o timbre do gabinete do ministro no Ministério da Saúde e é intitulado “ações emergenciais decorrentes do agravamento dos casos de covid-19 no estado do amazonas”.

Ele relata ao Ministério Público Federal (MPF) as ações realizadas pela pasta entre os dias 6 e 16 de janeiro de 2021 no estado e afirma que o problema foi informado a ele no dia 8 de janeiro. No depoimento à CPI, Pazuello afirmou ter sido informado no dia 10 de janeiro.

“Foi detectado, ainda, logo no início do período, a gravíssima situação dos estoques de oxigênio hospitalar em Manaus, em quantidade absolutamente insuficiente para o atendimento da demanda crescente. Tal problema chegou ao conhecimento do Ministério no dia 8 de janeiro, por meio de um e-mail enviado por Petrônio Bastos, da White Martins (fabricante do produto), no qual remete, em anexo, cópia de comunicado daquela Empresa à Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas, datado de 7 de janeiro, explicando o possível desabastecimento e indicando, ao Estado, buscar outras fontes para o produto.”

Pazuello anexa nessas informações encaminhadas por ele mesmo ao STF o email que Petronio Bastos, executivo da White Martins, encaminhou não ao ministério, mas a Secretaria de Saúde do Amazonas alertando do problema.

“O imprevisto aumento da demanda ocorrido nos últimos dias agravou consideravelmente a situação de forma abrupta, superando em muito o volume contratado pela Secretaria junto à White Martins, fazendo com que sejam necessários novos esforços adicionais para que a totalidade das necessidades sejam supridas.

Assim sendo, considerando a essencialidade do produto em destaque, servimo-nos da presente para recomendar que a Secretaria identifique a faça a aquisição de volumes adicionais ao contrato diretamente de um outro fornecedor que seja capaz de aumentar a disponibilidade do produto nas áreas críticas.”

Além desses documentos, há uma mensagem encaminhada pelo governo do Amazonas ao então ministro Pazuello no dia 8 de janeiro. Nesse documento, ele é alertado da “iminência de esgotamento” do oxigênio.

“Em tratativa com a empresa White Martins, no dia 07.01.2021, foi comunicada a necessidade de suporte de gás oxigênio, utilizado para o tratamento e recuperação de pacientes acometidos de COVID-19, dada a devida alta de contaminação e por conseguinte aumento no número de casos de internação, o que ocasionou o súbito aumento no consumo.  Dada a iminência de esgotamento do referido insumo e como forma de manter o serviço em lume, resguardando a vida dos pacientes internados na Rede Estadual de Saúde a empresa informou que possui o oxigênio na Cidade de Guarulhos/SP, necessitando de apoio para transportar a referida carga do aeroporto de Guarulhos em translado para o estado do Amazonas, cuja carga estará em condições de embarque às 16 horas do dia 10.01.2021, em caráter de urgência.”

Procurado, Pazuello não se manifestou.

Pazuello durante seu segundo dia de oitivas na CPI da Pandemia
Pazuello durante seu segundo dia de oitivas na CPI da Pandemia
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado