CPI mira em auxiliar de Pazuello para investigar compra da Covaxin

Parlamentares querem ouvir na primeira semana de julho o tenente Alex Lial Marinho

Rachel Vargas, da CNN em Brasília
22 de junho de 2021 às 09:32 | Atualizado 22 de junho de 2021 às 10:21
Fachada Ministério da Saúde
Fachada do Ministério da Saúde, em Brasília
Foto: Divulgação/Ministério da Saúde

A CPI da Pandemia pretende ouvir na primeira semana de julho o tenente Alex Lial Marinho que atuou como auxiliar do ex-ministro da saúde, Eduardo Pazuello. Lial é ex-coordenador-geral de Aquisições de Insumos Estratégicos para Saúde do Ministério da Saúde e foi citado  em depoimento ao Ministério Público Federal. Ele era o superior de Luís Ricardo Fernandes Miranda, servidor que relatou ao MP ter sido pressionado a garantir a aquisição da vacina indiana Covaxin, conforme mostrou a CNN.

Trecho do depoimento:

“A Covaxin tem recebido muita mensagem de vários setores do ministério, da secretaria executiva, da própria coordenação do trabalho e de outros setores, perguntando o que falta para fazer essa importação, inclusive sábado e domingo, e sexta, às onze horas da noite.”

A negociação da vacina entrou na mira da comissão que quer entender o súbito interesse do Brasil na compra do imunizante, mais caro adquirido até hoje e com maior prazo de entrega já negociado.

Miranda teria sofrido uma pressão “atípica” de seus superiores com o objetivo de assegurar a importação da Covaxin, vacina que em março teve a autorização para importação negada pela Anvisa por questões sanitárias. A autorização com restrições só aconteceu no início deste mês. Mesmo assim, não há data para a vacina ser entregue.

O caso é investigado pelo Ministério Público Federal que no dia 31 de março colheu depoimento de Miranda dentro de um inquérito que apura se houve qualquer tipo de favorecimento ou irregularidade na negociação, realizada em tempo recorde e ao maior custo em relação a outras vacinas.

Alem disso, trata-se da única vacina cuja compra foi intermediada por uma terceira empresa, a Precisa Medicamentos que também entrou na mira da CPI.

A reportagem procurou Alex Lial Marinho que informou que só irá se manifestar após conversar com seus advogados.