Representante da Davati recebeu R$ 4,2 mil de auxílio emergencial

Negociador de 400 milhões de vacinas recebeu nove parcelas do benefício, mostra portal do governo federal

Teo Cury, da CNN, em Brasília
11 de julho de 2021 às 17:21 | Atualizado 11 de julho de 2021 às 17:22
Auxílio Emergencial
Foto: Agência Brasil

O empresário Cristiano Alberto Hossri Carvalho, representante da Davati Medical Supply no Brasil, recebeu R$ 4,2 mil de auxílio emergencial do governo entre abril e dezembro do ano passado. A informação, que consta no Portal da Transparência, foi antecipada pelo jornal “O Globo” e confirmada pela CNN.

Das nove parcelas recebidas por Carvalho em 2020, cinco foram no valor de R$ 600 e outras quatro no valor de R$ 300. O auxílio emergencial é um benefício pago pelo governo federal, por meio do Ministério da Cidadania, para garantir uma renda mínima aos brasileiros em situação mais vulnerável durante a pandemia do novo coronavírus.

A reportagem da CNN entrou em contato com a assessoria da Davati para pedir um posicionamento de Carvalho, mas não obteve resposta.

O empresário, que tinha poderes para negociar com o Ministério da Saúde a venda de vacinas da AstraZeneca, prestará depoimento à CPI da Pandemia nesta sexta-feira. No final da última semana, a defesa de Carvalho entrou com um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal para que ele possa permanecer em silêncio durante o depoimento.

Carvalho é apontado pelo presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), como sendo o "mentor" das denúncias de corrupção apresentadas pelo policial militar Luiz Paulo Dominguetti contra Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde. 

"O grande mentor disso tudo, de ele [Dominghetti] dar entrevista, de ele falar sobre o dólar [de propina por dose de vacina da AstraZeneca], se chama Cristiano, que é representante da Davati no Brasil. Esse cidadão tem que depor na CPI", argumentou Aziz em entrevista à CNN. "Não vejo maldade no Dominghetti, vejo maldade no Cristiano", pontuou.

Carvalho foi quem apresentou o policial militar Luiz Paulo Dominghetti à reportagem do jornal Folha de S.Paulo, que expôs o suposto esquema de corrupção relacionado a doses de vacinas AstraZeneca. Carvalho disse que Dominghetti é seu intermediário em negociações diretas com o Ministério da Saúde e que não participou das tratativas diretamente.

Quando a entrevista foi divulgada pelo jornal, a Davati explicou que "o único representante credenciado da Davati Medical no Brasil para facilitar a oferta de vacinas contra a Covid, Cristiano Alberto Carvalho, o qual detinha poderes limitados, esteve no Ministério da Saúde para tratar sobre a possível negociação de fornecimento de doses da vacina detidas por allocation holder do laboratório AstraZeneca".