Dados compartilhados por CPI da Pandemia podem reabrir CPMI das Fake News

CPMI das Fake News foi interrompida no começo de 2020 por conta da pandemia de Covid-19

Julliana Lopes, da CNN, em Brasília
15 de julho de 2021 às 15:53
cpmi fake news
Hans River do Nascimento em depoimento à CPMI das Fake News
Foto: Jane de Araújo/ Agência Senado

Pedidos de informação aprovados na CPI da Pandemia podem abrir espaço para a retomada de uma outra comissão no Congresso Nacional, a CPMI das Fake News. O grupo - que teve os trabalhos interrompidos no início de 2020 devido à pandemia - investiga a ação de apoiadores do governo Jair Bolsonaro na disseminação de notícias falsas na internet.

Sem maioria que apoiasse o avanço das investigações, incluindo pedidos de quebra de sigilo, os trabalhos da comissão mista foram fragilizados. Agora, podem ganhar força em uma atuação colaborativa com a comissão do Senado.

Os dados da CPI das Fakes News interessam à comissão do Senado, que busca provar atuação orquestrada em redes sociais no compartilhamento de fake news sobre a pandemia.

Senadores querem provar que perfis responsáveis por ataques virtuais antidemocráticos e ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) também atuaram de forma criminosa durante a crise sanitária. Para isso, apostam em cruzamento de dados e listas de suspeitos. Servidores do Congresso Nacional e assessores do Palácio do Planalto estão na mira dos parlamentares.

Nos bastidores, as cúpulas das duas comissões já discutiram o assunto. O acordo de cooperação pode prever, ainda, os trabalhos de dois agentes e um delegado da Polícia Federal especializado em crimes cibernéticos. Os policiais já estavam à disposição da CPMI para a identificação da autoria das postagens. Agora, há a possibilidade de atuação também no assessoramento a um núcleo que vai se debruçar sobre o assunto na comissão que corre no Senado.

A pressão de parlamentares para a retomada dos trabalhos das comissões permanentes também auxilia o retorno da CPMI depois do recesso parlamentar. Nesta quarta-feira (14), o Senado aprovou a volta de reuniões remotas para a análise e votação de propostas. Os trabalhos virtuais, no entanto, serão um obstáculo para a realização de oitivas na comissão das Fake News.