Para tentar reduzir resistência, Mendonça busca senadores de oposição

Indicado ao STF, o ministro da AGU entrou em contato com parlamentares do PT e do Cidadania em busca de apoio

Gustavo Uribe
Por Gustavo Uribe, CNN  
16 de julho de 2021 às 06:48 | Atualizado 16 de julho de 2021 às 10:51

Na tentativa de reduzir a resistência ao seu nome, o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), André Mendonça, tem buscado o apoio de senadores de oposição à sua indicação ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Nesta semana, logo após a oficialização ao seu nome pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ministro entrou em contato com o líder do PT no Senado Federal, Paulo Rocha (PA).
Na conversa, segundo relato feito à CNN, Mendonça solicitou uma reunião com a bancada petista, formada por seis senadores. O encontro deve ser promovido em agosto, após o fim do recesso parlamentar.

Antes mesmo de ser oficializado, na semana passada, o ministro também entrou em contato com a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA). Na conversa, ele destacou pontos de sua carreira na AGU e minimizou críticas ao seu nome.

“É um servidor que fez carreira na AGU e que pode ter sua nomeação prejudicada por conta de toda essa polarização trazida pelo presidente da República. Eu Acho que a sabatina dele, a depender das respostas dele, será fundamental para a decisão dos senadores”, disse a senadora à CNN.

Para a senadora de oposição, entre os nomes sugeridos por Bolsonaro para a vaga do ex-ministro Marco Aurélio Mello, Mendonça “parece o mais preparado”. “Torço pra ele ser aprovado”, afirmou.

André Mendonça foi indicado para o Supremo Tribunal Federal
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O nome do ministro tem sofrido resistência até mesmo entre integrantes da base aliada. Nas conversas que iniciou desde a semana passada, Mendonça tem minimizado o fato de ser pastor presbiteriano e ressaltado que o fato de ser evangélico não pautará a sua atuação no STF.

Até mesmo o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), é apontado como um dos senadores com reservas à indicação. O aliado de Bolsonaro ainda não marcou a data da sabatina de Mendonça.

Até que o nome seja avaliado pelo Senado Federal, a quem cabe aprovar ou não os indicados para a Corte, Mendonça seguirá no seu atual cargo, como advogado-geral da União.

Desde a posse como presidente, Bolsonaro prometeu em diversas oportunidades que escolheria um ministro "terrivelmente evangélico". O nome de Mendonça é aprovado por organizações evangélicas, como a Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure), que reiterou o apoio ao nome do AGU em ofícios enviados a Bolsonaro.