Após críticas de Bolsonaro, vice-presidente da CPI diz que não será 'intimidado'

Nesta segunda-feira (19), o chefe do Executivo usou uma rede social para acusar Randolfe de negociar a compra da vacina Covaxin "sem licitação"

Layane Serrano e Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo
19 de julho de 2021 às 17:41 | Atualizado 19 de julho de 2021 às 17:50

O vice-presidente da CPI da Pandemia, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou à CNN que não será "intimidado" pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Se tem uma coisa que nós estamos muito convictos é em não ser intimidados. Então, presidente, pode seguir agredindo, [porque] nós seguiremos trabalhando", disse o parlamentar.

Nesta segunda-feira (19), o chefe do Executivo usou uma rede social para acusar Rodrigues de negociar a compra da vacina Covaxin "sem licitação" e "sem a certificação" da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

"Com planos frustrados restou ao G-7 da CPI acusar ao Governo do que eles tentaram fazer", escreveu Bolsonaro no Twitter.

Na avaliação do senador, enquanto ele trabalhava para facilitar a aquisição das vacinas, o governo federal negociava com intermediários. Segundo Randolfe, esse foi o motivo do Palácio do Planalto "criar obstáculos" na obtenção dos imunizantes.

"Nós queríamos vacina e o presidente, seus apoiadores, seus ministros e toda a cúpula do Ministério da Saúde queria propina, essa é a diferença", ressaltou. "Ao invés de conversar com o Carlos Murillo, CEO da Pfizer, ele [Bolsonaro] preferia conversar com o cabo Dominghetti e os esquemas da Davati [Medical Supply]".

Senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) em entrevista à CNN (19.jul.2021)
Foto: CNN Brasil

CPI da Pandemia no recesso parlamentar

Com o recesso parlamentar, a CPI da Pandemia retorna ao Senado somente no dia 3 de agosto. Segundo Randolfe, no entanto, os parlamentares vão manter as investigações durante essa pausa.

O senador informou que esta primeira semana servirá para a divisão dos assuntos em núcleos, onde será designado um parlamentar para cuidar de cada ponto. Na semana seguinte, haverá uma reunião para apresentação de um síntese apresentada por cada senador.

Também será na segunda semana de pausa que os senadores vão se reunir presencialmente com juristas.

O objetivo do encontro, de acordo com Randolfe, será discutir "as tipificações dos crimes que estamos encontrando no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito”.

"Essa primeira semana será de análise (...) na outra semana, entre os dias 27 e 29, faremos uma reunião presencial com um grupo de juristas que estão espontaneamente dispostos a contribuir com a CPI da Pandemia", esclareceu.

Por fim, mesmo sem entrar em detalhes, o parlamentar afirmou que há indícios que houve um "mensalinho" no caso da VTCLog e que existem elementos para acreditar que também havia "mensalão" no caso dos hospitais federais do Rio de Janeiro.

A suspeita apurada por integrantes da comissão de inquérito é de que haveria um esquema de pagamento de propinas no Ministério da Saúde com o envolvimento da empresa de logística.

A VTCLog faz parte do grupo empresarial Voetur, que, segundo o Portal da Transparência, já prestou serviços, por exemplo, para superintendências estaduais do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) e para a Fundação Alexandre de Gusmão, ligada ao Ministério de Relações Exteriores — é o braço do Itamaraty na área de educação.