Moraes prorroga por 90 dias inquérito sobre suposta interferência de Bolsonaro

Corte vai retomar em setembro o julgamento que define se o presidente Jair Bolsonaro deve prestar depoimento presencial no inquérito

Gabriela Coelho, da CNN, em Brasília
20 de julho de 2021 às 17:42 | Atualizado 20 de julho de 2021 às 18:16

 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou por 90 dias o inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na autonomia da Polícia Federal.

"Considerando a necessidade de prosseguimento das investigações, nos termos previstos no art. 10 do Código de Processo Penal, prorrogo por mais 90 (noventa) dias, contados a partir do encerramento do prazo final anterior (27 de julho), o presente inquérito. O inquérito foi aberto, no ano passado, a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).

A Corte vai retomar em setembro o julgamento que define se o presidente Jair Bolsonaro deve prestar depoimento presencial no inquérito. A investigação foi aberta na esteira da demissão do ex-ministro Sérgio Moro, em abril do ano passado.

O ex-juiz da Lava Jato afirmou que Bolsonaro tentou interferir em investigações da PF ao cobrar a troca do chefe da Polícia Federal no Rio de Janeiro e ao exonerar o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo. O objetivo seria blindar investigações de aliados.

Em setembro do ano passado, antes de aposentar, o então ministro Celso de Mello determinou que o depoimento de Bolsonaro deveria ser presencial. Único a votar, Celso de Mello manteve a posição e disse que a prerrogativa de depoimento por escrito vale apenas para vítimas e testemunhas – Bolsonaro é investigado.

O ministro do STF Alexandre de Moraes
Foto: Rosinei Coutinho - 20.fev.2020 / SCO - STF