PF pede que STF decida eventual união de investigações sobre Bolsonaro e Miranda

Investigações seriam no contexto da tentativa de compra da vacina indiana Covaxin

Lisandra Paraguassu, Reuters
20 de julho de 2021 às 17:22 | Atualizado 21 de julho de 2021 às 01:05

 

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal que decida se o deputado federal Luiz Miranda (DEM-DF) dever ser investigado em conjunto com o presidente Jair Bolsonaro no caso da tentativa de compra das vacinas indianas Covaxin.

O ofício assinado pelo delegado do caso, Leopoldo Lacerda, foi encaminhado à ministra Rosa Weber --relatora do inquérito que apura a possibilidade de Bolsonaro ter cometido o crime de prevaricação ao ter ouvido as denúncias sobre a Covaxin e supostamente não ter agido.

Lacerda questiona se a investigação sobre Miranda, acusado de denunciação caluniosa no mesmo caso, deve ser feita em conjunto com a investigação sobre o presidente, já que se trata do mesmo fato.

"Se a omissão realmente ocorreu, estará descartada a hipótese de denunciação caluniosa. Caso contrário, se não ocorreu a alegada omissão, a denunciação caluniosa, também em tese, pode se caracterizar", diz o delegado em ofício, no qual pede que a ministra decida se a investigação deve ser conjunta ou, então, autorize a abertura de um novo inquérito para investigar a conduta do parlamentar.

O inquérito sobre a atuação de Miranda foi aberto a pedido do Ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, instigado pelo ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos. Em ofício a Torres, Ramos afirma que, em entrevista à CNN Brasil, Miranda declarou "fatos inverídicos" ao dizer que teria contado a Bolsonaro sobre os problemas na aquisição da Covaxin.

Torres então repassou o pedido de abertura de inquérito ao diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino e pediu providências.

"Diante da gravidade dos fatos narrados, solicito a abertura de inquérito policial e adoção de providências imediatas com vistas à apuração do caso", escreveu Torres.

O próprio presidente já admitiu que recebeu Miranda e seu irmão, servidor da Saúde, Luis Ricardo Miranda, que foi quem fez efetivamente a denúncia. Bolsonaro também não nega ter ouvido o relato, e diz ter repassado a denúncia para o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

A CNN entrou em contato com a defesa de Luis Miranda, mas ainda não obteve retorno. O deputado se manifestou sobre o assunto em suas redes sociais:  

"Os Reis das Fake News, em sua maioria investigados, estão postando que a PF pediu ao @STF_oficial  para me investigar por denunciação caluniosa do PR? Oiii??? Primeiro que não foi a PF, eles só atenderam um pedido dos ministros do PR, e perguntam ao STF se autoriza esse absurdo... 

Segundo que eu confio na PF e no Judiciário que não permitirão mais essa tentativa de intimidação. Bastou eu confirmar que tenho as provas e vou manter meu depoimento até o final, que os palacianos reagiram! Não prosperarão! Se tiver Corrupção na Saúde e na Vacina é gravíssimo...

Terceiro que é prerrogativa legal do parlamentar fiscalizar o executivo e tendo suspeitas de irregularidades É OBRIGAÇÃO DENUNCIAR! Seguirei firme e sem medo de ameaças, chantagens ou joguinhos de quem não liga para o povo brasileiro!"

Quarto que eu não denunciei o PR, fazendo com que a denúncia deles se torne uma verdadeira vergonha, nunca imputei qualquer crime ao PR ou a qualquer outro. Apontei irregularidades e acho que acertei em cheio algo muito grande! Sigo alinhado com a verdade e com a lei!"

Foto: Andressa Anholete/Getty Images