6x1: Lula diz que culpar dia de descanso por eventual crise é "mentira"

Petista participou de cerimônia de promulgação da redução da jornada de trabalho

Danilo Moliterno e Maria Paula Giacomelli, da CNN Brasil, Brasília e São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na cerimônia de promulgação do fim da escala 6x1, na manhã desta sexta-feira (16), que culpar a medida por uma eventual crise econômica seria uma "mentira".

"Tentar jogar, sabe, nas costas do povo trabalhador, que está reivindicando um dia de descanso a mais, a responsabilidade por uma crise é mentira", afirmou no Senado Federal.

Enquanto setores econômicos criticam o fim da escala 6x1 e falam e elevação de custos para as empresas, o presidente disse que historicamente "conquistas" de trabalhadores são contestadas com argumentos desse teor.

"Toda vez que a sociedade conquista alguma coisa, aparece uma turma de um segmento da sociedade que não concorda dizendo que não vai dar certo. Foi assim em todas as lutas", disse. Segundo ele, se problemas envolvendo categorias surgirem, serão discutidos.

"Quando se discutiram as férias de 20 dias, a classe empresarial paulista não queria férias de 20 dias, porque 20 dias iam fazer o trabalhador ter muito tempo de ócio, e o ócio levava à bebida. Vejam que engraçado: para o trabalhador as férias levam à bebida e para os ricos levam para Paris", completou.

O mandatário vem apostando no fim da escala 6x1 como um dos principais motores de sua campanha no segundo turno das eleições. Lula disputa o pleito diante de Flávio Bolsonaro (PL), que criticava a medida, mas passou a apoiá-la nos últimos dias.

"Se a gente não garantir o direito de o ser humano descansar, de o ser humano ter o direito de visitar a família, de visitar os parentes, de levar a criança a uma praça, a algum lugar para descansar, se a gente não garantir isso, eu digo: que tipo de seres humanos nós somos? [...] Ninguém aqui deseja que uma empresa quebre, mas também ninguém quer que um trabalhador morra por falta de descanso", afirmou ainda.