A apoiadores, Bolsonaro promete 'novidades' sobre acesso a armas

Presidente sugeriu que pode alterar ainda nesta semana a instrução normativa da Polícia Federal que trata do limite de armas de fogo para civis

Murillo Ferrari,
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu a apoiadores, na saída do Palácio da Alvorada nesta quinta-feira (4), que, ainda nesta semana, seu governo terá novidades sobre o acesso às arma de fogo no país.

“Vocês são CACs [caçadores, atiradores e colecionadores]? Dá para melhorar mais ainda, tinha problema na Justiça que eu nem sabia, foi encontrado e eu nem sabia. A IN [Instrução Normativa] 131 e tem mais INs também, então essa semana, até amanhã, tem novidade aí”, disse Bolsonaro. 

Bolsonaro se referia à Instrução Normativa (IN) da Polícia Federal que estabelece, entre outras coisas, procedimentos relativos a registro, posse, porte e comercialização de armas de fogo e munição no Sistema Nacional de Armas (Sinarm). Um dispositivo dessa IN limita o uso civil a duas armas de fogo por cidadão, uma de cano curto e uma de cano longo.

O presidente também perguntou para o grupo o que mais ele poderia fazer, que não dependesse de leis, para ajudar os CACs. Como resposta, ele recebeu pedidos para desburocratizar o Sistema de Fiscalização Produtos Controlados pelo Exército (SisFPC).

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O SisFPC é um sistema da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC) do Exército que regula, fiscaliza e autoriza as atividades de pessoas físicas e jurídicas com produtos controlados como armas de fogo, acessórios de armas, munições, explosivos, blindagens e proteções balísticas.

"O general Porto assumiu lá há pouco tempo. Vocês já estiveram com ele? Eu posso acertar uma ida de vocês lá para conversar com ele. O que depender de decreto, portaria, a gente resolve isso aí. Lei passa pelo Parlamento”, prometeu Bolsonaro.

O presidente se referia ao general Alexandre de Almeida Porto, nomeado no fim de março como diretor da DFPC no lugar no também general Eugênio Pacelli Vieira, que foi transferido para a reserva.

Convidado para visitar um clube de tiro em Gama, nos arredores de Brasília, Bolsonaro brincou: “Se pagar a munição, pode esperar [a visita]”, disse o presidente.

Ele também fez outra brincadeira depois que um apoiador afirmou que é cada vez maior a quantidade de mulheres nos clubes.  “Já são bravas sem armas... mas melhor tiro que peixeira”, disse o presidente.

Liberdade de expressão

Em outro momento da conversa na saída do Alvorada, Bolsonaro afirmou que a liberdade de expressão tem que valer para todo mundo. O presidente deu essa resposta depois de ser aconselhado por uma pessoa a “seguir o conselho do Olavão [Olavo de Carvalho]" e processar todo mundo que o chama de genocida.

“Rapaz, você sabe minha taxa de sucesso quando eu processo alguém? Zero. Se o cara me chama de fascista, por exemplo, eu entro com processo e não acontece nada. Mas se eu chamo ele de fascista, levo R$ 20 mil no lombo. Não adianta, minha taxa de sucesso é próxima de zero”, afirmou o presidente.

“E outra coisa, se é liberdade de expressão, tem que valer para todo mundo, pô. Eu num... você paga a sucumbência depois? ”, devolveu o presidente.