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    À CNN, Bolsonaro diz que joias já estavam cadastradas: “Nada foi escondido”

    Ex-presidente negou irregularidades e disse que objetos estão à disposição

    Leandro MagalhãesTiago Tortellada CNN

    Em entrevista exclusiva à CNN no aeroporto de Orlando, nos Estados Unidos, o ex-presidente Jair Bolsonaro negou irregularidades com as joias que recebeu de presente do governo da Arábia Saudita e afirmou que os objetos estavam cadastrados.

    “Se houvesse má fá por parte de alguém, não teria sido cadastrado. (…) Nada foi escondido. Se a imprensa divulga, é porque tem um cadastro dizendo que foi recebido”, explicou, adicionando que todos os itens estão “a disposição”.

    Nesta semana, foi noticiado que, durante viagem à Arábia em 2019, Bolsonaro recebeu um pacote de joias do governo estrangeiro. Questionado sobre isso, pontuou que “nada foi extraviado, nada sumiu. Esse outro pacote está à disposição”.

    Quanto aos outros dois pacotes que o governo saudita entregou ao então ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque durante uma viagem em 2021, Bolsonaro novamente afirmou que soube após um ano dos presentes.

    Além disso, destacou que tentou reaver o pacote que ficou retido na receita federal através de ofícios.

    “Deixo bem claro: em 2021, um ministro nosso foi na região (sic) da Arabia Saudita e ganhou dois presentes, um pra mim, um pra primeira-dama. O pra mim, tomei conhecimento no final do ano passado que tinha chegado. A primeira-dama (sic) ficou na alfândega. Ela tomou conhecimento, e eu também, pela imprensa”, ressaltou.

    “Foi buscado, documentalmente, com ofícios, nós buscamos recuperar esse material para o acervo, por ofício, ninguém quis buscar na mão grande. Não teve avião da força aérea especificamente pra tentar buscar esse material em São Paulo. O garoto lá prometeu uma carona pra ir pra lá”, complementou.

    O Tribunal de Contas da União decidiu que os estojos recebidos em 2021 deveriam ser entregues às autoridades — o que foi feito pela defesa de Bolsonaro. A Corte também determinou vistoria em todos os presentes recebidos pelo ex-presidente.

    “A lei diz que eu posso ficar com o material e posso usá-lo, não posso vendê-lo. O TCU entendeu que esse material nem podia ser usado. Sem problema nenhum. Quem vai usar um relógio, por exemplo, de 200, 300 mil reais? Eu jamais usaria”, apontou.

    “Tá à disposição, não tá escondido, não foi surrupiado de lá. Mais da metade, em volume, nós já doamos. Doamos para o órgão certo, o museu nacional, a biblioteca nacional…”, observou Bolsonaro.

    Depoimento à PF

    A Polícia Federal (PF) determinou que o ex-presidente e outras autoridades prestem depoimento sobre o caso das joias. Durante a entrevista à CNN, Bolsonaro também abordou o assunto.

    “Sem problema nenhum. Eu vou seguir a orientação dos meus advogados. As joias foram entregues, que tava dando a entender… descaminho… meu Deus do céu… se nós cadastramos, o governo, uma secretaria específica nossa catalogou, a joia não é minha. Ponto final”, disse.

    “Ninguém vendeu nada. Tá à disposição e vou seguir orientação dos meus advogados”, complementou.

    “Não vou liderar nenhuma oposição”, diz Bolsonaro à CNN

    Durante a entrevista exclusiva à CNN nos Estados Unidos, antes de seu embarque de volta para o Brasil, Jair Bolsonaro pontou que não irá liderar nenhuma oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    “Não vou liderar nenhuma oposição. Vou participar com meu partido, como uma pessoa experiente, 28 anos de Câmara, quatro de presidente, dois de vereador e quinze de Exército, para colaborar com o que eles desejarem, como a gente pode se apresentar para manter o que tiver de ser mantido e mudar o que tiver de ser mudado”, explicou Bolsonaro.

    “Não precisa fazer oposição a esse governo”, comenta Bolsonaro à CNN

    O ex-presidente também ressaltou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é uma “oposição por si só” e que não há possibilidade de colaborar com a administração atual.

    “Você não precisa fazer oposição a esse governo. Esse governo é uma oposição por si só dado a qualificação daqueles que compõe os ministérios. Ele criou mais quatorze ministérios, o perfil das pessoas é bastante diferente dos nossos, você pode fazer comparação aí no Brasil. E você começa a entender o porquê, queria que infelizmente fosse o contrário, não tem como dar certo esse governo”, cita o ex-presidente.

    CPI do 8 de janeiro

    O ex-chefe de Estado defendeu a instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar os atos criminosos que ocorreram em Brasília em 8 de janeiro.

    “Nós estamos focados na CPMI dos atos do dia 8 de janeiro. Nós lamentamos o ocorrido. Quem praticou os atos de vandalismo tem que ser culpado por isso. Os inocentes não justificam continuar presos. E tão pouco aqueles que já foram postos em liberdade mereciam aquilo tudo”.

    Anteriormente, no dia 24 de março, Bolsonaro havia dito que enxerga os atos de invasão aos prédios do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional como uma “armadilha feita pela esquerda” e acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de responsabilidade.

    Houve também o anúncio na entrevista à CNN de que Bolsonaro rodará o país em preparação para as eleições municipais do próximo ano.

    “Algumas coisas são páginas viradas para nós, e vamos, sim, nos preparar para as eleições do ano que vem. Pretendo rodar pelo Brasil. Uma ou duas saídas por mês, no máximo três. Para a gente conversar com os nossos simpatizantes”, informou.

    Volta ao Brasil

    Logo que chegou ao terminal aéreo, Bolsonaro conversou e tirou fotos com apoiadores no saguão aeroporto, tecendo críticas ao “socialismo” e dizendo que seu governo acolheu “milhares de venezuelanos”.

    “Teve gente que foi enganada pelo socialismo. Espero que o Brasil não mergulhe, não vá por esse caminho. E a Venezuela é o país mais rico do mundo em petróleo, era para ser um paraíso lá. Somos escravos das nossas escolhas”, pontuou.

    O desembarque está previsto para as 7h10, no Aeroporto Internacional de Brasília. O ex-chefe de Estado viajou para o exterior dois dias antes do fim de seu mandato. Ele não participou da passagem da faixa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).