À CNN, Flávio diz que emendas de Frias "não tem vinculação com filme"
Flávio Dino decidiu nesta sexta-feira (15) abrir um processo para investigar supostos direcionamentos de emendas parlamentares
O senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, negou, em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira (15), que parte do dinheiro direcionado para a produção do filme "Dark Horse" tenha vindo de emendas parlamentares.
"Não teve [dinheiro de emenda]. O Mário Frias, o que ele me disse é que já foi investigado e não teve nada equivocado. Não tem essa vinculação com o filme. [...] Os deputados vão vir a tona e explicar com honestidade para onde foi esse dinheiro", disse ao CNN 360º.
Na última quarta-feira (13) foi revelado pelo Intercept Brasil que o senador teria negociado cerca de R$ 134 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme. Segundo a reportagem, pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e março de 2025 em seis transferências bancárias para financiar o projeto.
Segundo o site, o envolvimento de Vorcaro teve outros intermediários, entre eles o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do longa-metragem biográfico.
Após a publicação da matéria, nesta sexta-feira (15), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Flávio Dino, ordenou a abertura de uma apuração preliminar sigilosa sobre o repasse de emendas parlamentares para entidades controladas pela produtora do filme “Dark Horse”, a GOUP Entertainment, que tem Karina Ferreira da Gama como uma das responsáveis.
Além da GOUP, Karina teria controle sobre outras duas entidades: a Academia Nacional de Cultura e o Instituto Conhecer Brasil.
A determinação de Dino veio após os deputados Henrique Vieira (PSOL-RJ) e Tabata Amaral (PSB-SP) abrirem um pedido na Suprema Corte apontando desvio de finalidade no repasse dos recursos e descumprimento de regras de transparência.
Segundo a petição, Frias teria enviado cerca de R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil para projetos de esporte e letramento.
Além de Frias, os deputados federais Alexandre Ramagem (PL-RJ), Bia Kicis (PL-DF), Carla Zembelli (PL-SP), Marcos Pollon (PL-MS) e o deputado estadual Gil Diniz (PL) foram citados como autores de R$2,6 milhões em emendas destinadas a Academia Nacional de Cultura para produção de série documental.
Em nota divulgada à imprensa na quarta-feira, a GOUP negou o envolvimento de Vorcaro e reafirmou que o projeto foi financiado dentro de modelo privado por meio de "articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos".
No mesmo dia em que as negociações foram divulgadas pelo Intercept Brasil, Mário Frias afirmou em nota que Flávio Bolsonaro "não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora". No pronunciamento, o deputado acrescentou que não haveria "um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse" e "sem um único real de dinheiro público envolvido".
O esclarecimento prestado por Frias veio após a GOUP Entertainment afirmar "categoricamente" que "não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário".
Um dia depois, na quinta-feira (14), Frias voltou a se manifestar sobre o envolvimento de Vorcaro na produção. Desta vez, o deputado recuou e admitiu que a produção do filme recebeu recursos do ex-banqueiro. Apesar da mudança de discurso, ele afirmou que não houve contradição entre os posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas "uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento". O deputado novamente endossou que o longa foi feito "sem qualquer recurso público".
"Quando afirmei anteriormente que não há 'um centavo do Master' no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta", explicou.
A Entre Investimentos e Participações atuava em parceria com outros negócios comandados por Vorcaro.