À CNN, Gilmar diz que Master reside na Faria Lima: "Não é questão do STF"
Ministro define caso Master como um problema "financeiro" que não deve ser transferido para a Corte
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), voltou a dizer nesta sexta-feira (24) que a questão envolvendo o Banco Master não deve ser vinculada à Corte, e sim à Faria Lima, principal polo financeiro do Brasil.
"Não tentem transferir para a sede daqui da Praça dos Três Poderes o problema do Master, o Master reside na Faria Lima. É uma questão do sistema financeiro", declarou Gilmar em entrevista à CNN.
Segundo o magistrado, há a impressão de que o Supremo tenha envolvimento com as fraudes do banco porque "houve o contrato do escritório de advocacia da esaposa de um ministro ou porque um ministro teve um contrato com o Master". A declaração fez referência a Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, respectivamente.
"Isso não é uma questão do Supremo. As investigações vão certamente mostrar quais são os problemas e se há realmente responsabilidade de um ou de outro, mas não se pode dizer que seja um problema do Supremo Tribunal Federal", destacou.
O decano da Corte ressaltou que a autorização para que o banco funcionasse é "polêmica". Ele relembrou que, na gestão de Ilan Goldfajn como presidente do BC (Banco Central) do governo de Michel Temer (MDB), foi negada essa autorização, mas que, sob o comando de Roberto Campos Neto, indicado de Jair Bolsonaro (PL), a instituição recebeu o aval da autoridade monetária do país.
Ministros do Supremo e o caso Master
Investigação da PF (Polícia Federal) aponta um suposto envolvimento por parte do ministro Dias Toffoli com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mensagens periciadas do celular de Vorcaro mostram menções a pagamentos direcionados ao magistrado, então relator do caso no Supremo.
Além disso, foi identificado que um fundo de investimento gerido por uma empresa citada no caso Master investiu R$ 4,3 milhões em um resort que, à época, tinha em seu quadro societário familiares de Toffoli.
A atuação do magistrado no caso começou a levantar suspeitas depois que ele viajou para a Final da Libertadores, no Peru, no mesmo jatinho em que estava um dos advogados da defesa do caso do banco.
No caso de Alexandre de Moraes, o envolvimento com o Master se deu pela esposa do magistrado, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Em dezembro, o jornal O Globo publicou reportagens que revelaram um contrato de R$ 129 milhões do banco com Viviane. O jornal afirmou ainda que Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao menos quatro vezes para tratar de interesses em favor da instituição.


