À CNN, governista diz que Omar Aziz ‘salvou a CPI’ ao não prender Wajngarten

Senador Marcos Rogério (DEM-RO) avalia que o presidente da CPI tem trazido "equilíbrio" ao inquérito

Gregory Prudenciano e Rudá Moreira, da CNN, em São Paulo e em Brasília

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Para o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO), membro titular da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, o presidente do inquérito, Omar Aziz (PSD-AM), “salvou” a CPI do que seria “o maior constrangimento que ela poderia sofrer” caso tivesse ocorrido a prisão de Fabio Wajngarten, ex-secretário especial de Comunicação da Presidência da República que prestou depoimento nesta quarta-feira (12). 

“O Omar tem sido o ponto de equilíbrio”, afirmou Marcos Rogério à CNN. “Determinar a prisão de uma testemunha diante das acusações que fizeram seria o maior dos absurdos que eu já vi”, pontou, em referência ao pedido de prisão de Wajngarten feito pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), e por outros senadores presentes à sessão. 

Calheiros argumentou que Wajngarten estava mentindo à comissão, o que configuraria um “flagrante evidente”, o suficiente para motivar a prisão. Aziz, no entanto, interveio e negou o pedido do relator, justificando que “não é impondo a prisão de alguém que a CPI vai dar resultado”. 

Como mostrou o analista da CNN Caio Junqueira, o Palácio do Planalto elogiou a postura do presidente da CPI. Interlocutores disseram ainda que vão tentar se aproximar de Aziz, que hoje integra o chamado G7 — bloco majoritário na CPI que reúne senadores independentes e de oposição –, e atraí-lo para o lado governista. 

“Não acho que o Omar tenha mudado de lado, trincado a relação com o grupo de lá”, avaliou o senador Marcos Rogério. “O Omar tem se posicionado ao longo do trabalho, de vez em quanto ele tem umas falas mais duras, bota organização na casa porque há muitos excessos por parte do relator e por parte dos membros da oposição”, opinou o parlamentar.

‘Renan é um justiceiro’

Para o senador por Rondônia, o relator da CPI, Renan Calheiros, tem liderado o que ele classifica como “uma espécie de justicismo” baseado em um “resultado pré-determinado” da CPI, que seria contra o governo Bolsonaro. 

Marcos Rogério afirmou que “quando a gente olha para o relator, a gente vê no Renan um justiceiro, um homem que quer vingar as 425 mil mortes”, em referência ao total de óbitos confirmados por Covid-19 no Brasil.

Na sessão de hoje, Calheiros substituiu seu nome na placa de identificação que fica sobre a mesa pelo número de vítimas da doença, o que foi interpretado pelo senador Marcos Rogério como um ataque ao governo e ao presidente Bolsonaro.

O senador Marcos Rogério falou com a CNN sobre o depoimento de Wajngarten
O senador Marcos Rogério (DEM-RO) conversou com a CNN sobre o depoimento de Fabio Wajngarten na CPI da Covid (12.mai.2021)
Foto: Reprodução / CNN

Habeas Corpus a Eduardo Pazuello

Diante deste clima, disse o senador à CNN, “talvez caiba ao ex-ministro Pazuello recorrer ao Judiciário e buscar a tutelo do habeas corpus para vir a essa CPI”. 

Caio Junqueira já mostrou que essa tem sido uma estratégia considerada pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, cujo depoimento está marcado para o dia 19 de maio.

Na terça-feira (11), o presidente Jair Bolsonaro deu seu aval para que a Advocacia-Geral da União (AGU) apresente ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de habeas corpus que permita ao ex-ministro comparecer à CPI, mas responder apenas as perguntas que quiser. 

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