Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    A mensagem da roupa escolhida por Janja para a posse de Lula

    Objetivo foi privilegiar a indústria brasileira da moda e elementos da natureza do país; para estilistas ouvidos pela CNN, ao optar por calça, quebrando protocolo, Janja também quis dar a ideia de ser uma roupa de trabalho

    A primeira-dama da República do Brasil, Rosângela Lula da Silva (Janja), durante a cerimônia de posse/ Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Congresso Nacional
    A primeira-dama da República do Brasil, Rosângela Lula da Silva (Janja), durante a cerimônia de posse/ Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Congresso Nacional Foto: José Cruz/Agência Brasil

    Gabriela Coelhoda CNN

    em São Paulo

    Vestida com um terninho champanhe de seda assinado pela estilista Helô Rocha, com bordado de palhas, em parceria com bordadeiras do Nordeste, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, surgiu assim para a cerimônia de posse do marido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    O objetivo de Janja foi privilegiar a indústria brasileira da moda e elementos da natureza do país.

    A roupa de poder há séculos é o terno. “Eu acho que ela não usa roupa decorativa de boneca, peça de decoração, ela se coloca em outro lugar. Ela tem uma presença forte e eu acho que a roupa traduz isso: roupa de trabalho. Versão feminina da roupa masculina. Ela usa o colete como blusa e pronta para o trabalho”, resume a estilista Thais Farage.

    O look elaborado por Helô Rocha, mesma estilista que fez o vestido do casamento da socióloga, em maio passado, conta também com uma calça estilo pantalona, um colete com gola V e botões. Na prática, o blazer acinturado apresenta feminilidade e o colete interno remete ao smoking típico masculino.

    Thais Farage diz que as roupas de Janja e Lula passam a mensagem de valorizar os artistas brasileiros.

    “Não foram de vermelho. Moda é um negócio e parte importante da cultura. Valorização do país e resgatar um Brasil unido e de todo mundo e não tanto da polarização, sem símbolos de partido”.

    A principal informação da pantalona é de uma apropriação de espaço. Até 1997, as pessoas não podiam usar calça no Senado.

    “Mulher de calça na política ainda é um lugar diferente. primeiras-damas são esperadas para ser bonecas e a Janja quando coloca a calça quebra a paradigma”.

    Já a estilista Cynara Boechat disse que a primeira-dama quebrou protocolo ao aparecer de calça comprida.

    “Primeira dama que entrou de calça. Me lembrou Coco Chanel. Entretanto, a forma que o bordado foi feito é estratégico de realeza, sempre bordado nas lapelas”, diz.

    Cynara diz ainda que a pantalona apresenta um equilíbrio, conforto e sofisticação.

    “Mas nada diferente de um vestido. A seda poderia ter sido trocada por uma peça que não amarrotasse tanto”, explica. Para Boechat, um ponto positivo é o bordado com a flora brasileira feita por fundações de mulheres.

    Em entrevista exclusiva à Vogue de janeiro, Janja falou sobre o look: “Queria vestir algo que tivesse simbolismo para o Brasil, para os estilistas, para as cooperativas e para as mulheres brasileiras”, disse.

    “A moda não é só um aspecto muito importante da cultura brasileira como é um motor da economia. Quero carregar os estilistas brasileiros aonde for. Mostrar para o mundo, abrir portas de comércio, de oportunidades. Se puder contribuir, vou ajudar”, disse à revista de moda.

    Lu Alckmin, mulher do vice-presidente Geraldo Alckmin, optou usar um vestido branco, em corte de alfaiataria, tamanho midi abaixo dos joelhos, com mangas longas que se abrem na parte interna dos braços. A esposa de Alckmin escolheu ainda cabelos soltos. Tanto Janja quanto Lu optaram por maquiagem discreta.