"A PF coloca palavras na minha boca", afirma Bolsonaro à CNN Brasil

Ex-presidente nega tentativa de golpe, critica delação de Mauro Cid e acusa Gonet de conivência

Fernanda Tavares, da CNN, em São Paulo
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou duramente a condução das investigações da PF (Polícia Federal) e a delação premiada de seu ex-ajudante de ordens, tenente-coronel Mauro Cid, durante entrevista à CNN Brasil.

Segundo Bolsonaro, o inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado é “sem cabimento” e representa uma perseguição política.

“A Polícia Federal coloca palavras na minha boca. É um processo que não tem cabimento. Não existe golpe nenhum”, afirmou Bolsonaro.

O ex-presidente classificou como uma “vergonha” a delação de Mauro Cid, que o implicou diretamente nas investigações.

Para ele, o conteúdo da colaboração premiada não tem valor jurídico e foi conduzido de forma questionável: “Essa delação é uma vergonha. O próprio procurador Gonet deveria ser denunciado pelo que está acontecendo”, disse.

Bolsonaro sugeriu ainda que as acusações precisam de fundamentos e que o processo judicial estaria sendo usado com fins políticos para enfraquecê-lo.

As declarações do ex-presidente ocorrem um dia após a divulgação do parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que se manifestou em favor da condenção do Bolsonaro na tentativa de golpe de Estado nas ações antidemocráticas do dia 8 de janeiro, em 2023.

Nas 517 páginas do pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para que os réus do processo penal que apura uma tentativa de golpe de Estado sejam condenados, Gonet detalha a atuação do que aponta como organização criminosa com um objetivo.

Para o procurador-geral, os réus se organizaram para um “projeto autoritário de poder” com o objetivo de manter Bolsonaro na presidência.

A PGR diz que os fatos “não deixam dúvida” de que a organização, enraizada na própria estrutura do Estado e com forte influência de setores militares, desenvolveu-se em ordem hierárquica e com divisão das tarefas preponderantes entre seus integrantes.

“Especificamente em relação aos réus denunciados nestes autos – integrantes do alto escalão do Governo Federal e das Forças Armadas –, comprovou-se que formaram o núcleo crucial da organização criminosa, mesmo que tenham aderido ao grupo em momentos distintos. Deles partiram as principais decisões e ações de impacto social que narradas na denúncia.”

A PGR aponta que o tenente-coronel Mauro César Barbosa Cid, “embora com menor autonomia decisória”, também fazia parte desse núcleo, atuando como porta-voz do então presidente Jair Bolsonaro, e transmitindo orientações aos demais membros do grupo.