A presente ausência negra nas eleições de 2022

De olho no bolo financeiro, que pode ser maior para candidaturas negras neste ano, há intensa movimentação decandidaturas “camaleônicas” de políticos que nunca se declaram negros agora sendo negros de carteirinha

Funcionária da Justiça Eleitoral instala urna eletrônica em local de votação em escola de Brasília - 25/10/2014
Funcionária da Justiça Eleitoral instala urna eletrônica em local de votação em escola de Brasília - 25/10/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino

Maurício Pestanada CNN

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A falta de representatividade negra na política é um mal que se alastra desde o colonialismo.

São séculos de completa ausência negra em espaços de poder, seja no Executivo, no Legislativo e, também, por que não incluir o Judiciário que, nos últimos tempos, tem exercido o papel por vezes de Executivo e até Legislativo em terras tupiniquins.

São palácios e gabinetes povoados por uma imensidão de “caros caras brancas” no auge de seu cinismo burocrático ou nos seus cordiais cumprimentos de excelências.

Afinal, são nesses lugares que usam o termo “vossa excelência”, palavra colonial, medieval, falada com a natureza dos tempos feudais em que só havia dois tipos de seres nesses espaços: o senhor e o serviçal escravizado, o branco e o negro.

Caso o leitor tenha qualquer dúvida, visite os gabinetes em Brasília ou qualquer palácio de governo do Brasil e terá um mergulho rápido nesse universo.

A normalidade branca só é quebrada quando um mandatário pede o café e a água, e não raras são as vezes que um serviçal negro aparece.

A podridão desse universo, um incômodo para negros, mas também para brancos progressistas que sonham com um mundo melhor, começa a dar sinais de mudanças.

No 21 de março, dia internacional de eliminação de todo tipo de discriminação — dia esse promulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) — aconteceu um importante encontro entre representantes de partidos políticos no Brasil e o TSE.

A ocasião — que não teve serviçais negros servindo cafés, afinal, foi online — tratou de um tema importante, o financiamento de candidaturas negras já nas eleições de 2022.

De olho na fatia de bolo financeiro que pode ser maior para candidaturas negras, a partir deste ano, já existe uma intensa movimentação de candidaturas “camaleônicas”, ou seja, políticos que nunca se declaram negros agora sendo negros de carteirinha, desde criança — problemas que só a autodeclaração e o mau caratismo dessas pessoas podem explicar.

Mas, na dúvida, é simples resolver o problema: recorra ao passado do candidato que se apresentar como negro!

Veja suas propostas para eliminação do racismo; se for um candidato que busca a reeleição, veja quais foram as suas propostas e projetos pela igualdade racial na sua legislatura, procure saber um pouco sobre seu passado e seu envolvimento com a causa antirracista.

A democracia e a crença em um mundo mais Igualitário agradecem.

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