“Precisamos de mais candidatos negros nestas eleições”, diz líder de movimento antirracismo

Justiça eleitoral vai se reunir com presidentes de partidos na próxima semana para incentivar candidaturas de negros. Encontros do TSE sobre o assunto começaram nesta semana com ativistas e pesquisadores

Basília Rodriguesda CNN

Brasília

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O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) convidou todos os presidentes de partidos políticos para debater a candidatura de pessoas negras nestas eleições, na próxima segunda-feira (21) – Dia Mundial de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial na ONU (Organização das Nações Unidas). O encontro será às 9h, por videoconferência.

Na terça-feira (15) passada, foi a vez de ouvir pesquisadores e ativistas sobre o assunto. Foi quando a recém-criada Comissão de Promoção da Igualdade Racial do TSE se reuniu pela primeira vez. A ausência de candidaturas negras com viabilidade política, ou seja, chances eleitorais, ganhou importância extra em 2022 porque, pela primeira vez, será obrigatória a distribuição proporcional dos recursos eleitorais entre candidatos brancos e negros.

Um exemplo: se dentro de um grupo de cem políticos, 45 forem negros, 45% das verbas eleitorais terão que ser destinadas às campanhas deles. Uma das principais referências do movimento negro, Frei David, diretor do Educafro, afirmou à CNN, depois do encontro com o TSE, que há dificuldade de localizar mais pardos e pretos com interesse na disputa eleitoral e que mais esforços serão feitos.

“Precisamos de mais candidatos negros. Não é fácil identificar pessoas que conseguem se ver como opção e queiram seguir com a campanha em frente”, disse.

Seguindo a nomenclatura do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a classificação de negros reúne candidatos pardos e pretos. De acordo com o TSE, as eleições vêm registrando um aumento na candidatura de negros, mas uma das preocupações é com o uso efetivo dos recursos para que os candidatos não sirvam de laranjas. Em 2020, cerca de 267 mil candidatos (48,1%) se disseram brancos, enquanto 219 mil (39,4%) se declararam pardos e 58 mil (10,5%) afirmaram ser pretos.

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