Ações de Eduardo são por conta própria, diz Bolsonaro em depoimento à PF

Ex-presidente é considerado “responsável financeiro” do filho nos Estados Unidos, a quem diz ter doado R$ 2 milhões

Maria Clara Matos e Teo Cury, da CNN, São Paulo e Brasília
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Em depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (5), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que as ações do seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), são "independentes e realizadas por conta própria".

Bolsonaro depôs hoje no inquérito que apura a conduta de Eduardo nos Estados Unidos, suspeito de agir contra autoridades brasileiras. O parlamentar está no país deste abril deste ano.

Ele havia sido questionado se as ações do filho teriam a finalidade de beneficiar sua situação jurídica, além de influenciar nas investigações que correm no Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro é réu em uma ação que julga a tentativa de instauração de um golpe de Estado após as eleições de 2022, quando saiu derrotado.

Em entrevista à CNN, Eduardo chegou a afirmar que esperava que o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, fosse sancionado pelo governo norte-americano.

O parlamentar mencionou uma "pena de morte financeira", sem a possibilidade de que o sancionado consiga realizar uma transação internacional ou abrir uma conta, por exemplo, de acordo com seu entendimento dos parâmetros norte-americanos.

"Só para que vocês entendam, o motivo da sanção é a violação da Lei Magnitsky. A Lei Magnitsky é a lei que fala dos direitos humanos e prevê os mecanismos de resposta aos violadores", disse Eduardo, adicionado que as sanções são postas pelo Tesouro americano.

O depoimento de Bolsonaro teve início às 15h e durou cerca de duas horas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) entende que o ex-presidente é o “responsável financeiro” do filho nos EUA.

Ainda à PF, o ex-chefe do Executivo disse ter enviado R$ 2 milhões para que o filho se mantivesse. Segundo ele, o dinheiro surgiu de uma campanha de doações via Pix de 2023, quando teria arrecadado cerca de R$ 17 milhões.

Segundo a defesa de Bolsonaro, ele foi ouvido inicialmente na condição de testemunha.