Defesa de réu do núcleo 2 diz ter sido barrada ao tentar acompanhar sessão
No STF, regra que ficou definida é que advogados dos réus que não são do núcleo em julgamento seriam encaminhados para outra sala, com transmissão ao vivo, por questões de espaço

O advogado Eduardo Kuntz, que atua na defesa de Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro e um dos réus na ação penal do plano de golpe, disse ter sido barrado ao chegar no prédio do STF (Supremo Tribunal Federal), nesta terça-feira (2), para acompanhar o julgamento do núcleo crucial da trama golpista.
Kuntz recorreu ao presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin. No pedido encaminhado a Zanin, Kuntz ainda afirma que saiu de São Paulo apenas para acompanhar o julgamento presencialmente e que recebeu a negativa da entrada com "absoluta surpresa", uma vez que, segundo ele, participou de todo o processo, até agora, sem intercorrências.
O advogado afirmou à CNN que recebeu uma resposta verbal de assessores do STF informando que ele não poderá entrar em nenhum dos dias de sessão, apenas no julgamento do "Núcleo 2". Kuntz classificou a decisão como um "desrespeito".
No STF, a regra que ficou definida é de que advogados dos réus que não são do núcleo em julgamento seriam encaminhados a outra sala, com transmissão ao vivo, por questões de espaço. A ação penal que está sendo julgada é a do núcleo 1. Marcelo Câmara é do núcleo 2.
Em nota enviada à CNN, a assessoria do Supremo disse "não ser verdade que o advogado não teve acesso ao prédio, uma vez que foi recebido pela equipe do STF e alocado na sala de audiências da Segunda Turma".
"Vale ressaltar que todosos advogados de outros núcleos tiveram assento na Segunda Turma, justamente em razão da limitação de espaço. Dentro da Primeira Turma, todos os advogados do núcleo 1, assessores de gabinetes, parlamentares e imprensa", afirmou a Corte em nota.
Antes de ser barrado, Kuntz afirmou à imprensa que foi à Corte para observar e se preparar para o julgamento do seu cliente, Marcelo Câmara, que integra o chamado "núcleo 2" da ação penal.
“Eu espero um julgamento positivo, respeitando as garantias. Com análise dos processos, com a leitura de todos os depoimentos prestados, a expectativa é de confiança total no Supremo Tribunal Federal”, afirmou Eduardo Kuntz.
De acordo com a investigação da PF (Polícia Federal) e a acusação da PGR (Procuradoria-Geral da República), Câmara teria monitorado autoridades, como o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB), antes da diplomação da chapa eleita em 2022.
Ele está preso desde 18 de junho por descumprir medidas cautelares impostas por Moraes. O ex-assessor teria tentado obter informações sigilosas da delação do tenente-coronel Mauro Cid.
O julgamento
A Primeira Turma do Supremo dá início nesta terça-feira (2) ao julgamento, que tem sessões extraordinárias reservadas nos dias 3, 9,10 e 12 de setembro.
Fazem parte do "núcleo 1", além do ex-presidente Jair Bolsonaro, outras sete pessoas:
- Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
- Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
- Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.


