Advogado diz à CNN que tinha áudios atribuídos a Cid desde o ano passado

Defesa de Marcelo Câmara admitiu conversa com o ex-ajudante de ordens no Instagram

Lucas Schroeder e Manoela Carlucci, da CNN, São Paulo
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O advogado Eduardo Kuntz, que atua na defesa de um dos réus na ação penal do plano de golpe, afirmou à CNN que tinha os áudios atribuídos ao ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, desde o ano passado e que "guardou esse material" por estratégia da defesa.

"Eu tenho esse material desde o ano passado. Cogitei em apresentá-lo quando meu cliente foi indiciado no caso das vacinas, mas com o arquivamento das denúncias contra o ex-presidente e o deputado [não diz qual], eu guardei esse material", disse em entrevista nesta terça-feira (17).

Advogado do coronel da reserva do Exército e ex-assessor de Bolsonaro Marcelo Câmara, Kuntz informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter mantido conversas com Cid pelo Instagram, em 2024.

"Achei que era o momento pertinente para juntar essas conversas que, ressalto aqui, foram iniciadas por parte do tenente-coronel Mauro Cid. Eu, em momento algum, procurei por ele para obter as informações. Ele me procurou”, começou.

“Eu já tinha procedimento, que é um auto de investigação defensiva, instaurado desde setembro de 2023, porque a gente não conseguia tirar cópias dos processos e, no meio do caminho, vem um link de uma pessoa, em tese ‘gabrielar’, eu deixo, num primeiro momento, de responder esse link. Depois, ao longo do dia, consigo arrumar um tempo e vou verificar isso porque é comum ser procurado por pessoas que não conheço para advogar", acrescentou.

Na época em que a interação teria acontecido, quando as investigações da Polícia Federal ainda estavam em andamento, Cid estava proibido de manter contato com outros investigados, bem como utilizar as redes sociais.

As conversas foram anexadas no processo para embasar o pedido de Kuntz para anular a delação premiada de Mauro Cid com a PF. Ele alega a “absoluta falta de voluntariedade”.

A defesa de Cid, no entanto, sustenta que as mensagens atribuídas a ele não são verdadeiras.