Alckmin minimiza divergência entre Lula e Milei: “Parcerias são de Estados”

Vice-presidente também disse que “mau gosto do presidente do país vizinho” não merece comentários

Patrícia Nadir, da CNN, Brasília
Vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), concede entrevista coletiva a jornalistas no Palácio do Planalto, em Brasília, 16 de julho de 2024
Vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), concede entrevista coletiva a jornalistas no Palácio do Planalto, em Brasília, 16 de julho de 2024  • Cadu Gomes/VPR
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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse, nesta terça-feira (16), que as divergências entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o argentino, Javier Milei, não devem prejudicar as relações comerciais entre os dois países. Segundo ele, as parcerias são de Estados, não de governos.

“As parcerias são de Estado. O mau gosto do presidente do país vizinho quando esteve aqui, não temos o que comentar. As parcerias são de Estado”, declarou Alckmin em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto.

O vice fez referência à participação de Milei em um evento conservador em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, na última semana. Na ocasião, o argentino se encontrou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Pouco antes, Milei deixou de ir a uma reunião de cúpula do Mercado Comum do Sul (Mercosul), realizada no Paraguai. Lula, que discursou no evento, classificou a ausência do argentino como “bobagem imensa”.

Recentemente, Alckmin esteve reunido com embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli. Ele afirmou que a conversa com o diplomata foi "boa" e que o Brasil tem interesse na importação de gás natural argentino produzido na reserva de Vaca Muerta

Divergências

Lula e Milei protagonizaram embates ideológicos desde a campanha eleitoral argentina, no final do ano passado.

Em um dos episódios mais recentes, Milei questionou a necessidade de pedir desculpas para Lula por ter chamado, durante sua campanha, o brasileiro de “corrupto” e “comunista”.

“Qual é o problema que o chamei de corrupto? Por acaso ele não foi preso por isso? E o que eu disse, comunista? Por acaso [Lula] não é comunista? Desde quando tem que pedir perdão por dizer a verdade? Ou estamos tão doentes de correção política que não se pode dizer nada para a esquerda ainda quando for verdade?”, indagou Milei em entrevista ao canal La Nación +.