Alcolumbre diz que eventual CPI do Master seria "palanque eleitoral"

Presidente do Senado disse que não sabe "de quem é a culpa", mas também não pode ficar "sofrendo agressões" da direita e esquerda

Davi Alencar, da CNN Brasil*, Brasília
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O presidente do Senado Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) disse nesta terça-feira (2) que uma eventual CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso Master seria uma estratégia de "palanque eleitoral".

Durante discurso inflamado no plenário, Alcolumbre afirmou que "ninguém mais aguenta dar resposta à rede social", reforçando também que a decisão de dar prosseguimento com pedidos relacionados à instituição de Daniel Vorcaro cabe exclusivamente à Presidência do Congresso: "Não sei quem é culpado. O BC (Banco Central), as pessoas que fizeram coisa errada, a Comissao de Valores Monetários. Mas querem abrir mais uma CPI apenas para palaque eleitoral".

Alcolumbre também citou a última sessão conjunta do Congresso Nacional - realizada em 21 de maio - dedicada à análise do veto presidencial que afetava repasses federais a municípios.

"Fui mês passado à Marcha dos Prefeitos e os 5 mil municípios me cobraram para que eu votasse um veto que salvasse seus convênios. Achei que eu era municipalista e marquei a sessão. Passei 4 horas sendo agredido na sessão pela direita e esquerda por causa da CPI do Master. Todo mundo, Polícia Federal, Ministério Público, todos estão investigando isso. Não podemos fazer as coisas assim em ano eleitoral", disse o presidente.

Durante a sessão conjunta, Alcolumbre foi pressionado por congressistas de diversos partidos para que desse voz ao ofício de abertura de uma das CPIs protocoladas nos meses anteriores. Ao descartar a ideia, o presidente do Congresso mencionou a finalidade da pauta de item único do dia e chegou a pedir desculpas para os presentes no plenário.

Na sessão, parlamentares defenderam que a instalação de uma CPI é rito automático após o preenchimento das assinaturas mínimas. Alcolumbre, no entanto, argumentou que a decisão é um "ato discricionário" do presidente do Congresso. Para a apresentação oficial, um pedido de CPMI deve ter o apoio de ao menos 27 senadores e 171 deputados.

Como a CNN Brasil mostrou, o Congresso tem oito iniciativas de comissões de inquérito sobre o Master. Seis delas já reuniram as assinaturas mínimas e aguardam a leitura para avançar. Um dos pedidos foi apresentado na Câmara, três no Senado e outros dois são para a criação de comissões mistas, ou seja, formadas por deputados e senadores.

*Sob supervisão de João Ker