Além de prefeito, Justiça afasta vereadores e servidores em São Bernardo

A Polícia Federal interceptou mensagens entre o vereador Danilo Lima (Podemos) e o servidor da Alesp Paulo Iran que apontam que o presidente da Câmara teria recebido diversas quantias em espécie dentro do prédio do Legislativo, além de transferências bancárias

Guilherme Gama, da CNN, São Paulo
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O presidente da Câmara Municipal de São Bernardo do Campo, vereador Danilo Lima Ramos (Podemos), foi afastado pela Justiça de São Paulo nesta quinta-feira (14) das funções públicas acusado de envolvimento no esquema de corrupção descoberto pela Polícia Federal na prefeitura da cidade.

Danilo Lima é primo do prefeito Marcelo Lima (Podemos) e, segundo as investigações da PF, recebia “altas quantias em dinheiro” do servidor da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) Paulo Iran Paulino Costa, que é apontado como operador financeiro da quadrilha e também foi afastado do cargo.

Além dos políticos, também foram afastados Fabio Augusto do Prado, secretário de coordenação governamental de São Bernardo do Campo (SP) e Paulo Sérgio Guidetti, servidor municipal. Os afastamentos tem validade de um ano e podem ser prorrogados.

A pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP), além do afastamentos, os políticos estão proibidos de se comunicar entre si, mesmo com intermédio de terceiros, como pedida cautelar determinada pela Justiça.

Na operação da manhã desta quinta-feira (14) foi feita a prisão preventiva de uma pessoa e a prisão em flagrante de outras duas, além da apreensão de bens e dinheiro em espécie.

Um segundo alvo com mandado de prisão ficou em aberto e já é considerado foragido.

No pedido de afastamento, o MPSP aponta "uma complexa rede criminosa, com uma estrutura definida e um ‘modus operandi’ peculiar, voltada para a captação e movimentação de valores ilícitos no âmbito da Prefeitura de São Bernardo do Campo". O órgão estadual também obteve também a quebra e sigilo fiscal e bancário de 34 pessoas físicas e jurídicas.

Entre 20 mandados de busca e apreensão, agentes encontraram R$ 1,947 milhão de reais na casa do sócio de uma empresa de terraplanagem e R$ 210 mil reais na residência sócio de uma empresa de medicamentos.

As investigações tiveram início em julho de 2025, a partir da apreensão de R$ 14 milhões em espécie (entre reais e dólares norte-americanos) na posse de servidor público suspeito de integrar organização criminosa.

Quem é Marcelo Lima, prefeito de São Bernardo do Campo afastado do cargo.

A polícia acredita que a organização atua por meio do recebimento de vantagens indevidas em recursos financeiros em espécie, provenientes de empresas que possuem vultosos contratos com o Executivo Municipal ou com a Fundação ABC para a prestação de serviços essenciais, como coleta de resíduos, engenharia, informática e saúde.

Em nota, a Prefeitura de São Bernardo informou que "irá colaborar com todas as informações necessárias em relação ao caso. A gestão municipal é a principal interessada para que tudo seja devidamente apurado. Reforçamos que o episódio não afeta os serviços na cidade".

Já o Podemos, afirmou que durante os oito meses de mandato, "reconhecemos o grande trabalho que nosso prefeito de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Marcelo Lima, vem realizando pela população e na cidade".

"Confiamos na lisura da conduta de Marcelo Lima e acreditamos também ser necessária prudência em relação todo tipo de manifestação leviana, sem as devidas informações acerca das recentes investigações. Reafirmamos nossa crença na importância de que as apurações devam ocorrer com responsabilidade e respeito às garantias legais, inclusive com o necessário direito de defesa", concluiu em nota.