Alexandre Baldy: ‘Todo o meu dinheiro está declarado no Imposto de Renda’

O secretário licenciado de Transportes Metropolitanos de São Paulo disse estar "surpreendido" com a denúncia

Da CNN, em São Paulo

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O secretário licenciado de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Alexandre Baldy, afirmou em entrevista à colunista da CNN Thais Arbex na noite desta terça-feira (11) que todos os seus recursos financeiros “estão declarados no Imposto de Renda” e disse ter sido “surpreendido” pelas denúncias e acusações.

Baldy teve a prisão decretada na semana passada em uma operação que investiga desvios na área da saúde quando era deputado federal por Goiás e ministro das Cidades no governo Michel Temer (MDB).

“[Fiquei] surpreendido pela operação da semana passada, da qual não tive oportunidade de prestar esclarecimentos para que não haja necessidade seja de investigação ou até oferecimento de denúncia”, afirmou.

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Alexandre Baldy
Alexandre Baldy, secretário licenciado de Transportes Metropolitanos de São Paulo
Foto: CNN (11.ago.2020)

O secretário disse ainda que jamais atuou para beneficiar qualquer tipo de empresa ou cidadão de Goiás.

“As instituições do estado, seja secretária ou o próprio governo, atuam de forma profissional”, reiterou.

Investigação

A ação que levou à prisão de Alexandre Baldy é um desdobramento das investigações realizadas no âmbito das operações Fatura Exposta e SOS, que apuram desvios de recursos do RJ repassados para a organização social Pró-Saúde, que administrou diversos hospitais no estado e em outros locais do pai´s.  

A investigação contra o ex-ministro começou a partir de uma delação premiada de ex-diretores da Pró-Saúde. Os investigadores teriam descoberto o pagamento de vantagens indevidas para que determinadas pessoas pudessem interceder em favor do grupo, em relação aos pagamentos do contrato de gestão do Hospital de Urgência da Região Sudoeste (Hurso), em Goiânia, administrado pela organização entre 2010 e 2017. 

Para possibilitar o pagamento, os envolvidos utilizariam um esquema de geração de “caixa 2” na sede da PróSaúde, com o superfaturamento de contratos, custeados em sua maioria por repasses feitos pelo estado do Rio de Janeiro.

De acordo com o MPF, eles constituíam cerca de 50% do faturamento nacional da organização – valor que saltou de R$ 750 milhões em 2013 para R$ 1 bilhão em 2014 e R$ 1,5 bilhão em 2015.

Os investigados podem responder pelos crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Baldy foi deputado federal por Goiás de 2015 a 2019 e ocupou o cargo de ministro das Cidades de 2017 a 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB).

Na ocasião. a Fiocruz manifestou-se por meio de nota. “A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi surpreendida na manhã desta quinta-feira (6/08) com a informação veiculada pela imprensa sobre a prisão do pesquisador Guilherme Franco Neto. A Fiocruz é rigorosa em seus mecanismos de controle e transparência inerentes ao sistema de integridade pública”, declarou.

“O pesquisador Guilherme Franco é concursado e é um especialista de referência das áreas de saúde e ambiente, com extensa lista de contribuições à Fiocruz e à saúde pública. Diante das circunstâncias e como procedimento regulamentar, a instituição instaurou procedimento apuratório interno. A Fiocruz defende o princípio constitucional de presunção de inocência, tem convicção de que os fatos serão devidamente esclarecidos e está dando todo apoio necessário ao seu servidor, em contato direto com a família.”

Em nota, enviada no dia da prisão de Baldy, a assessoria de comunicação de Baldy afirmou que ele “tem sua vida pautada pelo trabalho, correção e retidão”. “Foi desnecessário e exagerado determinar uma prisão por supostos fatos de 2013, ocorridos em Goiás, dos quais Alexandre sequer participou”, diz o comunicado.

“Alexandre sempre esteve à disposição para esclarecer qualquer questão, jamais havendo sido questionado ou interrogado, com todos os seus bens declarados, inclusive os que são mencionados nesta situação. A medida é descabida e as providências para a sua revogação serão tomadas.”

(Edição: Sinara Peixoto)

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