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Aliados pressionam Jair Bolsonaro a apontar sucessor para 2026

Às vésperas do julgamento do Plano do Golpe, conservadores disputam espólio bolsonarista

Salvador Strano, da CNN, São Paulo
Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em Brasília  • Reprodução/CNN
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O ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniu nesta segunda-feira (1º) com a senadora Damares Alves (PL-DF) e com o deputado Arthur Lira (PP-AL), na véspera do início do julgamento do plano de golpe.

A articulação ocorre em meio à disputa interna na direita para definir quem vai representar o bolsonarismo na eleição do ano que vem.

O ex-presidente está inelegível, por conta de dois processos de abuso de poder político na Justiça Eleitoral. Mas a possibilidade de uma condenação penal acelerou a articulação pela indicação de um sucessor.

Estão na corrida: os filhos, Eduardo (PL-SP) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de os governadores Romeu Zema, de Minas Gerais; Ronaldo Caiado, de Goiás; Ratinho Júnior, do Paraná, e Tarcísio de Freitas, de São Paulo.

Tarcísio é o único do grupo que ainda poderia concorrer à reeleição ao governo estadual.

Nesta segunda-feira, em entrevista ao canal do jornalista Cláudio Dantas no YouTube, Eduardo defendeu que todos estejam na urna. Mas argumentou que "a voz do bolsonarismo" precisa vir de um nome da própria família.

Já o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o candidato à Presidência pelo partido será Jair Bolsonaro, ou quem o ex-presidente escolher para a vaga.

A família Bolsonaro tem classificado os apelos pela indicação de um sucessor como oportunismo político. No Congresso, os conservadores querem aproveitar o julgamento no Supremo para pressionar os líderes a pautarem o PL da Anistia na Câmara dos Deputados.

Não há, entretanto, consenso sobre a extensão da anistia. Bolsonaristas defendem que o perdão ao ex-presidente poderia, inclusive, aliviar as sanções e tarifas americanas ao Brasil. Mas ministros do supremo deram indícios de que um projeto do tipo poderia ser derrubado pelo plenário da casa.

Outra opção, com menos resistência entre líderes do Centrão e no Judiciário, seria diminuir a pena prevista nos crimes identificados com os invasores do Oito de Janeiro. O que, em tese, levaria a uma revisão geral das penas impostas ao grupo.