
Amoêdo diz que suspensão de sua filiação ao Novo é “processo autoritário”
Partido anunciou nesta quinta-feira (27) que decidiu suspender liminarmente a filiação do empresário, que declarou voto em Lula
O empresário e ex-candidato à Presidência João Amoêdo, um dos fundadores do Partido Novo, afirmou nesta quinta-feira (27) ter recebido “com surpresa e indignação” a sua suspensão da legenda e o pedido de desfiliação. Ele chamou o processo de autoritário.
“Difícil não concluir que as manifestações do partido quanto ao meu posicionamento, a elaboração da denúncia por aliados de Bolsonaro, a nomeação dos novos integrantes para Comissão de Ética Partidária e o pedido para uma definição antes de domingo não seja um movimento arquitetado para constranger filiados do Novo a não declararem os seus votos e para garantir a minha expulsão, em um processo autoritário que remete à atuação de Bolsonaro”, criticou.
A Comissão de Ética Partidária decidiu pela suspensão de Amoêdo por 4 votos a 3. O empresário argumenta que três dos membros que apoiaram o afastamento foram incorporados ao grupo nas duas últimas semanas.
“Todos os mandatários que assinaram o pedido de suspensão e a expulsão declararam voto em Bolsonaro no segundo turno, e um deles é coordenador estadual de campanha do presidente”, diz.
“O Novo, ao final do primeiro turno, mencionou em nota que não iria se posicionar nessas eleições e que os filiados eram livres para votarem de acordo com a sua consciência. O partido tem uma diretriz partidária, em vigor, que coloca a instituição como oposição ao governo Bolsonaro nas eleições de 2022”, acrescentou.
Além de suspenso, Amoêdo foi intimado a apresentar sua defesa no processo de expulsão em 10 dias. “Apresentarei a minha defesa no Comitê de Ética do partido e tomarei as medidas jurídicas adequadas para garantir o meu direito, e de todos os filiados, de se manifestarem de acordo com a legislação brasileira e as regras internas do Novo”, disse.
Amoêdo, que foi candidato à Presidência em 2018, ainda reafirmou que votará no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.
“Esse é o ambiente que espero para o Novo e para o país. Por isso, reafirmo meu voto em Lula no próximo domingo”, completou.
Novo suspende filiação de Amoêdo
O Partido Novo anunciou nesta quinta-feira que CEP da legenda decidiu suspender liminarmente a filiação de João Amoêdo. Segundo o partido, ele enfrenta um procedimento disciplinar por possíveis violações estatutárias.
No último dia 15, Amoêdo declarou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que votaria no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições.
A declaração gerou críticas da direção do partido e de Felipe d’Avila, que foi candidato derrotado do Novo à Presidência no primeiro turno.
Veja a nota de Amôedo na íntegra:
Recebi com surpresa e indignação a suspensão da minha filiação ao NOVO e o pedido para minha expulsão do partido por ter declarado o voto em Lula no segundo turno.
A Comissão de Ética Partidária, por 4 votos a 3, aprovou a suspensão e me concedeu 10 dias para apresentar a defesa no processo de expulsão.
Três dos quatro membros que votaram pela minha suspensão foram incorporados à Comissão de Ética nas duas últimas semanas.
Todos os mandatários que assinaram o pedido de suspensão e a expulsão declararam voto em Bolsonaro no segundo turno, e um deles é coordenador estadual de campanha do presidente.
O pedido dos mandatários solicitava que a suspensão fosse efetivada antes do pleito de domingo.
O NOVO, ao final do primeiro turno, mencionou em nota que não iria se posicionar nessas eleições e que os filiados eram livres para votarem de acordo com a sua consciência.
O partido tem uma Diretriz Partidária, em vigor, que coloca a instituição como oposição ao governo Bolsonaro nas eleições de 2022.
Desde março de 2020, quando renunciei à Presidência do NOVO, não exerço qualquer cargo no partido, sendo apenas filiado. Faço questão de frisar, em todas as entrevistas e declarações, que minha opinião não representa o pensamento oficial do partido.
Após a minha declaração de voto, sofri ataques do partido, de alguns mandatários e do presidente da instituição.
Esses são os fatos.
Difícil, portanto, não concluir que as manifestações públicas do partido quanto ao meu posicionamento, a elaboração da denúncia por aliados do presidente Bolsonaro, a nomeação dos novos integrantes para a CEP e o pedido para uma definição imediata antes de domingo, não seja um movimento arquitetado para constranger outros filiados do NOVO a não declararem os seus votos e para garantir a minha expulsão, em um processo autoritário que remete à atuação de Bolsonaro.
Apresentarei a minha defesa no Comitê de Ética do partido e tomarei as medidas jurídicas adequadas para garantir o meu direito, e de todos os filiados, de se manifestarem de acordo com a legislação brasileira e as regras internas do NOVO.
Esse é o ambiente que espero para o NOVO e para o País.
Por isso, reafirmo meu voto em Lula no próximo domingo.
João Amoêdo


