Eleições 2022

Amoêdo diz que suspensão de sua filiação ao Novo é “processo autoritário”

Partido anunciou nesta quinta-feira (27) que decidiu suspender liminarmente a filiação do empresário, que declarou voto em Lula

Danilo Moliterno e Carolina Figueiredo, da CNN, São Paulo
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O empresário e ex-candidato à Presidência João Amoêdo, um dos fundadores do Partido Novo, afirmou nesta quinta-feira (27) ter recebido “com surpresa e indignação” a sua suspensão da legenda e o pedido de desfiliação. Ele chamou o processo de autoritário.

“Difícil não concluir que as manifestações do partido quanto ao meu posicionamento, a elaboração da denúncia por aliados de Bolsonaro, a nomeação dos novos integrantes para Comissão de Ética Partidária e o pedido para uma definição antes de domingo não seja um movimento arquitetado para constranger filiados do Novo a não declararem os seus votos e para garantir a minha expulsão, em um processo autoritário que remete à atuação de Bolsonaro”, criticou.

A Comissão de Ética Partidária decidiu pela suspensão de Amoêdo por 4 votos a 3. O empresário argumenta que três dos membros que apoiaram o afastamento foram incorporados ao grupo nas duas últimas semanas.

“Todos os mandatários que assinaram o pedido de suspensão e a expulsão declararam voto em Bolsonaro no segundo turno, e um deles é coordenador estadual de campanha do presidente”, diz.

“O Novo, ao final do primeiro turno, mencionou em nota que não iria se posicionar nessas eleições e que os filiados eram livres para votarem de acordo com a sua consciência. O partido tem uma diretriz partidária, em vigor, que coloca a instituição como oposição ao governo Bolsonaro nas eleições de 2022”, acrescentou.

Além de suspenso, Amoêdo foi intimado a apresentar sua defesa no processo de expulsão em 10 dias. “Apresentarei a minha defesa no Comitê de Ética do partido e tomarei as medidas jurídicas adequadas para garantir o meu direito, e de todos os filiados, de se manifestarem de acordo com a legislação brasileira e as regras internas do Novo”, disse.

Amoêdo, que foi candidato à Presidência em 2018, ainda reafirmou que votará no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.

“Esse é o ambiente que espero para o Novo e para o país. Por isso, reafirmo meu voto em Lula no próximo domingo”, completou.

Novo suspende filiação de Amoêdo

O Partido Novo anunciou nesta quinta-feira que CEP da legenda decidiu suspender liminarmente a filiação de João Amoêdo. Segundo o partido, ele enfrenta um procedimento disciplinar por possíveis violações estatutárias.

No último dia 15, Amoêdo declarou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que votaria no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições.

A declaração gerou críticas da direção do partido e de Felipe d’Avila, que foi candidato derrotado do Novo à Presidência no primeiro turno.

Veja a nota de Amôedo na íntegra:

Recebi com surpresa e indignação a suspensão da minha filiação ao NOVO e o pedido para minha expulsão do partido por ter declarado o voto em Lula no segundo turno.

A Comissão de Ética Partidária, por 4 votos a 3, aprovou a suspensão e me concedeu 10 dias para apresentar a defesa no processo de expulsão.

Três dos quatro membros que votaram pela minha suspensão foram incorporados à Comissão de Ética nas duas últimas semanas.

Todos os mandatários que assinaram o pedido de suspensão e a expulsão declararam voto em Bolsonaro no segundo turno, e um deles é coordenador estadual de campanha do presidente.

O pedido dos mandatários solicitava que a suspensão fosse efetivada antes do pleito de domingo.

O NOVO, ao final do primeiro turno, mencionou em nota que não iria se posicionar nessas eleições e que os filiados eram livres para votarem de acordo com a sua consciência.

O partido tem uma Diretriz Partidária, em vigor, que coloca a instituição como oposição ao governo Bolsonaro nas eleições de 2022.

Desde março de 2020, quando renunciei à Presidência do NOVO, não exerço qualquer cargo no partido, sendo apenas filiado. Faço questão de frisar, em todas as entrevistas e declarações, que minha opinião não representa o pensamento oficial do partido.

Após a minha declaração de voto, sofri ataques do partido, de alguns mandatários e do presidente da instituição.

Esses são os fatos.

Difícil, portanto, não concluir que as manifestações públicas do partido quanto ao meu posicionamento, a elaboração da denúncia por aliados do presidente Bolsonaro, a nomeação dos novos integrantes para a CEP e o pedido para uma definição imediata antes de domingo, não seja um movimento arquitetado para constranger outros filiados do NOVO a não declararem os seus votos e para garantir a minha expulsão, em um processo autoritário que remete à atuação de Bolsonaro.

Apresentarei a minha defesa no Comitê de Ética do partido e tomarei as medidas jurídicas adequadas para garantir o meu direito, e de todos os filiados, de se manifestarem de acordo com a legislação brasileira e as regras internas do NOVO.

Esse é o ambiente que espero para o NOVO e para o País.

Por isso, reafirmo meu voto em Lula no próximo domingo.

João Amoêdo

Fotos: Senadores eleitos no primeiro turno