‘Analista’ de Bolsonaro sobre urnas é nomeado secretário especial

Eduardo Gomes da Silva participou de live, em julho, em que o presidente admitiu não ter provas sobre fraudes em 2014, mas disseminou dúvidas sobre votação

Coronel Eduardo (E) ao lado do presidente Jair Bolsonaro durante live semanal
Coronel Eduardo (E) ao lado do presidente Jair Bolsonaro durante live semanal Foto: CNN Brasil (29.jul.2021)

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo

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O coronel de Artilharia da reserva do Exército, Eduardo Gomes da Silva, de 54 anos, foi nomeado nesta terça-feira (17) para o cargo de Secretário Especial de Modernização do Estado da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Eduardo é o “analista de inteligência” apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em live realizada no Facebook no fim de julho

Na ocasião, Bolsonaro admitiu não ter provas de fraude na eleição passada – ao contrário do que havia prometido mostrar –, mas usou da emissora pública, a TV Brasil Gov, para disseminar dúvidas e informações falsas sobre as urnas eletrônicas.

Conhecido como “coronel Eduardo”, o analista disse transmissão pela internet que as urnas têm “problemas” e precisam de “melhorias”, mas não apresentou dados para comprovar sua tese, apensas referendando o discurso do presidente.

Ascensão em Brasília

O coronel Eduardo goza da confiança do ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria-Geral da Presidência –  que assinou a nomeação para a secretaria publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da União (DOU)

Ele foi levado por Ramos para o Planalto em 2020, com outros oficiais com experiência na área de Inteligência do Exército. À época, Ramos chefiava a Secretaria de Governo (Segov).

Primeiro, o coronel Eduardo atuou como secretário adjunto na Secretaria Especial de Relações Institucionais, onde participava da interlocução direta com parlamentares no Congresso.

Ramos montou um esquema na Segov para monitorar a fidelidade de deputados e senadores em votações e declarações nas redes sociais, atrelando a ficha de cada um dos cargos de indicados e verbas liberadas. 

Em abril, quando o ministro foi deslocado para a Casa Civil, Eduardo acompanhou o chefe e passou a ter atuação mais discreta, com o cargo de assessor especial – e quase R$ 37 mil brutos de salário por mês.

Em uma rede social dedicada a experiências profissionais, ele se apresenta como “assessor de inteligência” no governo federal. Eduardo foi oficial de inteligência do Centro de Inteligência do Exército (CIE), quando o general Eduardo Villas Bôas era o comandante-geral. O CIE faz parte do gabinete do comandante-geral, no Quartel-General do Exército em Brasília.

Eduardo é da turma de 1990 da Academia Militar das Agulhas Negras. Segundo oficiais contemporâneos, em 2018 ele já demonstrava simpatia por Bolsonaro enquanto estava na ativa. Em grupos virtuais de militares, “patrulhava” os críticos da partidarização.

“É complicado um oficial que serviu no CIE ter esse tipo de postura. É revelador de que, talvez, a política partidária já seja um assunto bem acompanhado pelo Centro”, disse o coronel da reserva Marcelo Pimentel, que era amigo de Eduardo e colega de mestrado, sobre a participação na live de Bolsonaro.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

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