Ao decretar prisão de secretário do RJ, juíza cita 'corrupção pandêmica'
No documento, de 20 páginas, a magistrada relata, ainda, um episódio em que houve vazamento de uma etapa anterior da Operação Catarata

Ao decretar a prisão do secretário de Educação Pedro Fernandes, da ex-deputada federal Cristiane Brasil e de outras pessoas envolvidas em um esquema de corrupção na área de desenvolvimento social do governo do Rio, a juíza Ana Helena Mota Lima Valle afirma que o Rio de Janeiro é “assolado por corrupção pandêmica em diversas frentes”.
No documento, de 20 páginas, a magistrada relata, ainda, um episódio em que houve vazamento de uma etapa anterior da Operação Catarata - a de hoje, a segunda, cumpriu mandados de busca e apreensão e prendeu, além dos políticos, outras três pessoas.
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Para sublinhar a influência da organização criminosa que causou prejuízos de pelo menos R$ 30 milhões aos cofres do Rio, a juíza destaca a ocorrência de um vazamento da primeira fase da operação, em julho de 2019.
No dia 30 daquele mês, quatro denunciados por envolvimento no esquema retiraram da sede da empresa Servlog, localizada em um shopping, na Barra da Tijuca, computadores e dinheiro cerca de uma hora antes da chegada da polícia.
“No local, a diligência atrasou uma hora, havendo, assim, indícios de que houve vazamento de informação, embora a operação tenha sido realizada pela DGCOR, equipe de elite criada para o combate a corrupção pela atual administração”, diz trecho da decisão da juíza.
O responsável pela obstrução da investigação é justamente um delegado da Polícia Civil, Mario Jamil Chadud, preso hoje. A Servlog era a responsável pelo projeto “Novo Olhar”, visando oferecer consultas oftalmológicas e distribuição de óculos para população de baixa renda. O prejuízo é de R$ 66 milhões.