Ao se lançar à Presidência, Ciro Gomes foca em economia e no combate à corrupção

Pré-candidato do PDT falou em revogar teto de gastos e taxar grandes fortunas, prometeu 5 milhões de empregos em dois anos e defendeu o fim da reeleição

Vinícius Tadeuda CNN

São Paulo

Ouvir notícia

Durante a convenção nacional do PDT, realizada nesta sexta-feira (21), Ciro Gomes foi oficializado como o pré-candidato do partido à Presidência da República em 2022. O evento foi realizado em Brasília e transmitido pela internet, e contou com a presença de líderes importantes do PDT.

No início da convenção, o presidente nacional do partido, Carlos Lupi, afirmou que a pré-candidatura de Ciro Gomes ao Planalto foi aprovada por unanimidade entre os partidários. Um vídeo institucional também foi apresentado, revelando o slogan da campanha presidencial: “Rebeldia da Esperança”.

No primeiro pronunciamento como pré-candidato, que durou cerca de uma hora, Ciro deu o tom que pautará sua campanha. Afirmando ser uma alternativa eleitoral ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao presidente Jair Bolsonaro (PL), o pedetista afirmou que os dois “impuseram um tipo de governança que tem um conchavo, a fisiologia e a corrupção como eixos”. 

O principal tema da fala de Ciro foi a economia. Ele teceu críticas à política econômica adotada pelos chefes de Estado brasileiros. “Os presidentes, apesar de diferentes em muitas coisas, foram iguaizinhos em economia, e o modelo econômico que copiaram uns dos outros nos trouxe a esse beco sem saída”, disse.

Sobre seu plano econômico, o presidenciável destacou que irá manter o equilíbrio fiscal, mas “sem sacrificar os mais pobres” e “não para agradar banqueiros especuladores”.

Ciro foi claro ao afirmar que pretende revogar o teto de gastos, que classificou como a “maior fraude já cometida contra o povo brasileiro”. O pedetista disse que a medida, implementada pelo ex-presidente Michel Temer, “aprisiona o investimento público em uma camisa de força” e “só controla os investimentos que beneficiam o povo”.

Ao se declarar o candidato que mais fala de macroeconomia, ele também reforçou que irá taxar grandes fortunas. “Reafirmo aqui em alto bom som: eu taxarei, sim, as grandes fortunas, cobrarei impostos sobre lucros e dividendos e modificarei sim a estrutura tributária”, afirmou.

Sem dar muitos detalhes, disse ainda que vai mudar a “política de preços e de gestão da Petrobras”.

Ainda no campo econômico, o pré-candidato afirmou que, caso seja eleito, lançará um plano emergencial de pleno emprego para abrir 5 milhões de vagas nos primeiros dois anos de governo. O pedetista criticou a política de desoneração de impostos do governo Bolsonaro e disse que irá “desonerar compensatoriamente a produção de forma seletiva e bem planejada acabando com o festival de desonerações sem controle e sem retorno”.

 

Outro ponto em que Ciro insistiu ao longo de seu discurso foi a necessidade de se combater a corrupção. “Ao lado de um gabaritado grupo de juristas, cientistas políticos e homens públicos, estou elaborando um plano de combate à corrupção que colocarei em discussão pública até o próximo mês de março”, declarou.

Ciro defendeu ainda o fim da reeleição. Se eleito, afirmou, “depois de cumprido este mandato, voltarei para o meio do povo e de lá definirei o meu novo papel”.

O pré-candidato afirmou que sua agenda de propostas será contemplada com o “apoio de um congresso renovado, que terá a participação decisiva da bancada ampliada do PDT”.

Confira a íntegra do pronunciamento de Ciro Gomes no vídeo acima.

Colocando-se como uma opção da “terceira via”, esta será a quarta vez em que Ciro Gomes será candidato em uma eleição presidencial. O ex-governador do Ceará também concorreu em 1998, 2002 e na última eleição de 2018, quando ficou em terceiro lugar com 12,47% dos votos no primeiro turno. 

Na última pesquisa de intenção de voto divulgada pelos institutos Quaest/Genial em 12 de janeiro, Ciro aparece em quarto lugar, com 5% das intenções. À frente do pré-candidato do PDT aparecem o ex-presidente Lula (PT) com 45%, o presidente Jair Bolsonaro (PL) com 23% e o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) com 9%. 

Com uma longa carreira na política, Ciro foi deputado estadual pelo Ceará entre 1983 e 1989, prefeito de Fortaleza de 1989 a 1990, governador do Ceará entre 1991 e 1994 e deputado federal pelo estado de 2007 a 2011. O pedetista também foi ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco e ministro da Integração Nacional do governo Lula. 

Veja os possíveis candidatos à Presidência da República em 2022

Mais Recentes da CNN