Apesar de atrasos, Bolsonaro diz que país receberá 10 milhões de doses semanais

Presidente voltou a criticar medidas restritivas em pronunciamento nesta quinta-feira (25)

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante evento do novo Fundeb (22.mar.2021)
Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante evento do novo Fundeb (22.mar.2021) Foto: CNN Brasil

Anna Gabriela Costa, da CNN, em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, nesta quinta-feira (25), durante transmissão ao vivo em suas redes sociais, que o Brasil pode começar a produzir vacinas contra a Covid-19 dentro de três meses e que espera que o país passe a receber 10 milhões de doses por semana. 

O presidente utilizou novamente em seu discurso a defesa à imunização e disse que, após aprovação da Anvisa, qualquer vacina poderá ser adquirida para aplicação no país.

“Entre eu e a vacina existia a Anvisa. Todas que forem aprovadas pela Anvisa nós compramos, sem problema nenhum. O Brasil já aplica em média 500 mil doses diáris e isso vai melhorar. Falta uma melhor interlocução entre a ponta da linha (estados e municípios) e o Ministério da Saúde”, disse.

Bolsonaro acrescentou ainda que “vai chegar aproximadamente 10 milhões de doses por semana” e que o Brasil poderá se tornar o quinto país a fabricar vacinas. “Dentro de três meses o Brasil deve começar a fabricar vacina. Isso é fruto de uma medida provisória para nós dominarmos toda a cadeia de produção de vacinas no Brasil. O Brasil será o quinto país que vai ter a capacidade de fabricar completamente a vacina própria. Poderemos, depois de vacinar toda a população, exportar vacina”, afirmou o presidente. 

Apesar da declaração de Bolsonaro, a logística no recebimento de vacinas por outros países pode ser um empecilho no planejamento do Ministério da Saúde em receber 10 milhões de doses por semana. Nesta semana, a pasta afirmou que “o cronograma de entregas de doses, enviado pelos laboratórios fabricantes, pode sofrer constantes alterações”.

O Instituto Serum da Índia deve atrasar a entrega das próximas doses da vacina da AstraZeneca/Oxford ao Brasil devido ao aumento da demanda doméstica e à necessidade de expandir sua capacidade de produção.

Além disso, a aquisição de insumos entra em uma demanda global muito grande, onde países como Estados Unidos, Israel e algumas nações da Europa estão pressionando para serem prioridade, muitos restringindo exportações.

Crítica às medidas restritivas

Durante transmissão nesta quinta-feira, o presidente voltou a criticar as medidas de restrições determinadas pelos governos estaduais e municípios, em combate à pandemia de Covid-19. 

“Se a política do fecha tudo continuar, a gente não sabe aonde vai parar o Brasil. A gente queria que os governadores, o servidor público, o executivo, que fica em casa com o salário pingando todo mês, essas pessoas seriam pressionados pelos respectivos servidores”, disse. 

“Não tem um medicamento de forma clara ainda”

Bolsonaro destacou que não há medicamento recomendado para tratamento precoce contra o novo coronavírus, mas, sem citar o nome, afirmou que um remédio o salvou quando contraiu o vírus no ano passado. 

“Deixo bem claro, nós queremos combater o vírus, quando tínhamos o Mandetta como ministro da Saúde o protocolo dele era fica em casa, se sentir mal vai para o hospital. Eu questionava, vai para o hospital e faz o quê? Converse com o seu médico e veja o que ele irá receitar para você. Não tem um medicamento de forma clara ainda, mas o médico tem alternativas que podem salvar suas vidas, eu já sei o que meu médico irá receitar para mim, que me salvou lá atrás”, afirmou o presidente.

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